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Morre Robert Duvall, ator de 'O Poderoso Chefão'
O ator americano Robert Duvall, que interpretou um elegante advogado da máfia em "O Poderoso Chefão" e brilhou no papel de um coronel louco por surfe em "Apocalypse Now", faleceu aos 95 anos, informou sua esposa nesta segunda-feira (16).
"Ontem me despedi do meu amado marido, queridíssimo amigo, e um dos maiores atores do nosso tempo. Bob faleceu em paz em sua casa", declarou a esposa, a atriz e cineasta argentina Luciana Duvall, em um comunicado.
Ao longo de suas seis décadas de carreira, Duvall brilhou em papéis principais e coadjuvantes até se tornar diretor.
Em 1983, ganhou um Oscar de melhor ator por sua interpretação de um cantor de country no filme "A Força do Carinho". Ele foi indicado ao Prêmio da Academia em mais seis ocasiões.
Entre seus personagens mais memoráveis estão o discreto e leal conselheiro da máfia Tom Hagen nas duas primeiras partes de "O Poderoso Chefão".
Sua interpretação do maníaco tenente-coronel William Kilgore no filme sobre a Guerra do Vietnã "Apocalypse Now" lhe rendeu uma indicação ao Oscar e o transformou em uma verdadeira estrela após anos atuando em papéis menores.
Enquanto pronuncia uma das falas icônicas do filme — "Adoro o cheiro de napalm pela manhã" —, vê-se Kilgore com um grande chapéu de cowboy e o torso nu, enquanto aviões de combate americanos voam em baixa altitude e bombardeiam uma faixa arborizada junto à praia, onde ele quer ir surfar.
Esse personagem foi originalmente concebido para ser ainda mais exagerado (no início deveria se chamar coronel "Massacre"), mas Duvall o moderou.
"Fiz minha lição de casa", contou o ator ao veterano apresentador Larry King em 2015.
— "O mais versátil" —
De certa forma, Duvall floresceu tardiamente em Hollywood: tinha 31 anos quando fez sua atuação revelação como o misterioso recluso Boo Radley na adaptação cinematográfica de 1962 de "O Sol é Para Todos", romance de Harper Lee.
Depois interpretou uma variedade de papéis, entre eles o de um executivo corporativo agressivo em "Rede de Intrigas" (1976), e o de um oficial da Marinha que trata sua família como soldados em "O Grande Santini - O Dom da Fúria" (1979).
No entanto, Duvall costumava dizer que seu papel favorito foi em uma minissérie de televisão de 1989: o experiente e sarcástico guarda-florestal do Texas convertido em cowboy Augustus McCrae em "Os Pistoleiros do Oeste", baseada no romance de Larry McMurtry.
A crítica de cinema Elaine Mancini descreveu certa vez Duvall como "o ator mais tecnicamente competente, o mais versátil e o mais convincente na tela nos Estados Unidos".
Ao confirmar seu falecimento, Luciana Duvall afirmou: "Para o mundo, ele foi um ator vencedor do Oscar, um diretor, um contador de histórias. Para mim, ele simplesmente foi tudo".
Duvall era um apaixonado pelo tango e chegou inclusive a dirigir um filme (O Tango e o Assassino), no qual também atuou e cujo roteiro tem a música rio-platense como protagonista.
Y.Baker--AT