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Hospital de Gaza afirma que 21 crianças morreram de desnutrição ou fome
Um hospital de Gaza informou nesta terça-feira (22) que 21 crianças morreram de desnutrição ou fome nas últimas 72 horas no território palestino, onde Israel está ampliando suas operações mortais contra o Hamas em meio a uma onda de condenações internacionais.
Os 2,4 milhões de habitantes da Faixa de Gaza enfrentam uma grave escassez de alimentos e itens de primeira necessidade, e os centros de distribuição de ajuda humanitária são atacados com frequência.
"Vinte e uma crianças morreram devido à desnutrição e à fome em diferentes zonas da Faixa de Gaza (...) nas últimas 72 horas", declarou Mohamed Abu Salmiya, diretor do hospital Al Shifa.
No Hospital Naser, no sul de Gaza, imagens da AFP mostraram pais chorando sobre o corpo do filho de 14 anos, Abdul Jawad al Ghalban, morto de fome. Seu corpo esquelético acabava de ser enrolado em um saco branco para cadáveres.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o "horror" em Gaza, onde foi atingido "um nível de morte e destruição sem precedentes na história recente".
O porta-voz militar israelense Nadav Shoshani publicou na noite desta terça-feira um vídeo em que apareciam o que descreveu como "950 caminhões com ajuda humanitária aguardando para serem recolhidos e distribuídos por organizações internacionais".
"Isso ocorre depois que Israel facilitou a entrada de ajuda humanitária em Gaza", escreveu ele na rede X.
Ela deu a entender que ele já estaria a caminho, mas não forneceu detalhes sobre seu itinerário exato.
Por sua vez, a ONU acusou o exército israelense de matar mais de 1.000 pessoas que aguardavam ajuda desde o final de maio, a maioria delas nas proximidades das instalações da Fundação Humanitária de Gaza (GHF).
- "Noite de terror" -
Nesta terça-feira, a Defesa Civil anunciou que ataques israelenses mataram 15 pessoas, 13 delas no acampamento de Al-Shati, no norte de Gaza, que abriga milhares de deslocados.
Raed Bakr, de 30 anos, pai de três filhos, descreveu à AFP uma "grande explosão" que destruiu sua barraca durante a noite.
"Achei que estava em um pesadelo. Fogo, poeira, fumaça e restos humanos voando pelo ar, destroços por toda parte. As crianças gritavam", disse Bakr, cuja esposa perdeu a vida no conflito no ano passado.
Muhannad Thabet, de 33 anos, afirmou ter vivenciado "uma noite de terror" no acampamento, com "ataques aéreos e explosões constantes".
A Defesa Civil também informou nesta terça-feira a morte de duas pessoas em Deir el-Balah, no centro do território, onde Israel havia anunciado no dia anterior a expansão de suas operações e pediu a retirada da população do local.
O Exército israelense declarou que seus soldados "identificaram disparos em sua direção, na área de Deir el-Balah, e responderam atacando a origem dos tiros".
Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), entre 50 mil e 80 mil pessoas estavam na área naquele momento, e quase 88% da Faixa de Gaza encontra-se agora sob uma ordem de evacuação israelense ou incluída em uma zona militarizada por Israel.
- "Moralmente inaceitável" -
O patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, disse nesta terça-feira que a situação humanitária na Faixa de Gaza é "moralmente inaceitável" após visitar o território palestino.
"Vimos homens esperando sob o sol durante horas, com a esperança de conseguir uma simples refeição", acrescentou.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou para o risco "extremamente alto" de graves violações do direito internacional após a expansão das operações israelenses.
A França exigiu "que a imprensa livre e independente tenha acesso a Gaza para mostrar o que está acontecendo ali", onde mais de dois milhões de palestinos correm o risco de morrer de fome.
Entrevistado pela rádio pública France Inter sobre a situação de vários funcionários da AFP que trabalham em Gaza, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, declarou que segundo a direção da agência, vários colaboradores passam por uma "situação terrível".
P.Smith--AT