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Trump insiste em que Brasil 'mude de rumo' e 'deixe de atacar' Bolsonaro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu nesta quinta-feira (17) em que o governo brasileiro de Luiz Inácio Lula da Silva "mude de rumo" e "deixe de atacar" seu antecessor Jair Bolsonaro, no último embate de uma crise que não arrefece.
Trump mantém uma espécie de enfrentamento epistolar com Lula para se solidarizar com o ex-presidente Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado para se manter no poder quando perdeu as eleições.
Na semana passada, o republicano enviou uma carta para Lula com ameaças de tarifas, como outras transmitidas a dezenas de parceiros comerciais dos Estados Unidos. Mas a o documento enviado ao Brasil também continha duras críticas políticas pelo julgamento de Bolsonaro.
Neste quinta, o dirigente americano voltou à carga.
- 'Tratamento terrível' -
"Tenho acompanhado o tratamento terrível que você [Bolsonaro] está recebendo de um sistema injusto voltado contra você. Esse julgamento deveria terminar imediatamente!", escreveu Trump nesta quinta-feira em sua plataforma Truth Social.
"Expressei firmemente minha desaprovação, tanto publicamente como através de nossa política tarifária. Espero sinceramente que o governo do Brasil mude de rumo, deixe de atacar seus adversários políticos e ponha fim a seu ridículo regime de censura", acrescentou.
O presidente republicano de 79 anos também afirma estar "muito preocupado com os ataques à liberdade de expressão, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, provenientes do atual governo".
Nisso, ele parece fazer referência a um bloqueio no Brasil, por decisão judicial, do Rumble, uma plataforma para compartilhar vídeos popular entre grupos conservadores que se negou a suspender a conta de um usuário brasileiro residente nos Estados Unidos e investigado pela Justiça brasileira por difundir desinformação.
Trump adverte que acompanhará "de perto" a situação do ex-presidente Bolsonaro, com quem manteve uma relação estreita durante o seu primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021). E volta a enchê-lo de elogios.
- 'Muito respeitado e forte' -
"Foi um líder muito respeitado e forte que serviu bem a seu país", opina.
"Não me surpreende vê-lo liderando as pesquisas", acrescenta, embora, segundo um levantamento da Quaest, Lula lidere as intenções de voto para o primeiro turno das eleições de 2026.
Bolsonaro se mantém como o principal nome da direita no Brasil e insiste em ser candidato nas eleições de 2026, apesar de estar inelegível por decisão da Justiça Eleitoral por ter questionado sem provas a confiabilidade do sistema de votação.
Lula, de 79 anos, afirma que também quer disputar as eleições do próximo ano.
Se Brasil e Estados Unidos não chegarem a um acordo, Washington vai impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos provenientes da maior economia da América Latina.
Em uma tentativa de evitar essa taxação, o governo Lula enviou esta semana uma carta ao secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, e ao representante comercial Jamieson Greer, em que diz estar "pronto para dialogar [...] e negociar uma solução mutuamente aceitável".
A crise melhorou a popularidade de Lula, que apelou à unidade nacional ante a "interferência" americana.
"O que não pode acontecer é o presidente Trump esquecer que foi eleito para governar os Estados Unidos, e não para ser imperador do mundo", disse Lula em uma entrevista à CNN nesta quinta.
Consultada sobre essas declarações, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que "o presidente [Trump] obviamente não pretende ser o imperador do mundo".
"É um presidente forte para os Estados Unidos da América e também é o líder do mundo livre", disse Leavitt em coletiva de imprensa.
A carta a Bolsonaro chega depois que o representante comercial Greer abriu uma investigação contra o Brasil sobre sus "barreiras tarifárias e não tarifárias". Não descarta "medidas corretivas".
Y.Baker--AT