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ONU denuncia sistema de ajuda 'militarizado' em Gaza e Israel a acusa de alinhamento com Hamas
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, denunciou nesta sexta-feira (27) um sistema "militarizado" de distribuição de ajuda humanitária que "mata as pessoas" na Faixa de Gaza, e Israel respondeu o acusando de alinhamento com o Hamas.
O território palestino está devastado por mais de 20 meses de guerra entre o Exército israelense e o Hamas, desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino em Israel em 7 de outubro de 2023. Contudo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se otimista ao afirmar que, provavelmente, "um cessar-fogo" será alcançado na "próxima semana".
Nesta sexta-feira, pelo menos 80 pessoas morreram em pontos distintos da Faixa, por bombardeios ou disparos israelenses, anunciou a Defesa Civil do território. Dez delas foram mortas enquanto esperavam para receber ajuda humanitária, segundo a fonte.
A quinta-feira já havia sido um dia especialmente letal, com 65 palestinos mortos por disparos israelenses, segundo os serviços de resgate. Sete deles haviam comparecido a um centro da Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), uma organização de financiamento obscuro apoiada por Israel e Estados Unidos, para recolher ajuda.
"As pessoas morrem simplesmente por tentarem alimentar a si mesmas e a suas famílias. Recolher alimentos nunca deveria ser uma sentença de morte", disse à imprensa em Nova York o secretário-geral da ONU.
A GHF "forneceu diretamente mais de 46 milhões de refeições aos civis palestinos, não ao Hamas" desde o fim de maio, respondeu o Ministério das Relações Exteriores israelense na rede X.
"No entanto, a ONU faz o que pode para se opor a esse esforço. Ao fazê-lo, a ONU se alinha ao Hamas", sustentou.
- 'Simulacro de distribuição' -
Um pouco antes, a ONG Médicos Sem Fronteiras acusou a GHF de ser um dispositivo de "simulacro de distribuição alimentar que produz massacres em série".
No âmbito de sua ofensiva contra o Hamas, Israel impôs um bloqueio humanitário na Faixa de Gaza no início de março, que provocou grave escassez de alimentos, remédios e outros produtos básicos.
O bloqueio foi suspenso parcialmente no fim de maio, quando a Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), uma organização que recebe financiamento dos Estados Unidos, começou a distribuir ajuda no território palestino.
Contudo, suas operações deram lugar a cenas de caos, com numerosas perdas humanas.
Netanyahu defendeu a atuação do Exército e rejeitou "categoricamente" um artigo do jornal israelense de esquerda Haaretz, segundo o qual soldados israelenses teriam recebido ordens de atirar contra civis desarmados que esperavam para receber ajuda humanitária em Gaza.
"São mentiras mal-intencionadas desenhadas para manchar as Forças de Defesa de Israel, o exército mais moral do mundo", denunciou Netanyahu nesta sexta em comunicado.
Das 80 pessoas mortas hoje, dez "esperavam ajuda humanitária" em três lugares distintos do território palestino, explicou um porta-voz da Defensa Civil de Gaza, Mahmoud Bassal.
Procurado pela AFP, o Exército israelense disse que estava verificando as declarações do porta-voz, mas negou categoricamente que seus soldados tivessem atirado contra pessoas que esperavam ajuda no centro da Faixa de Gaza, onde, segundo Bassal, houve uma morte.
Outras seis pessoas morreram no sul, quando tentavam chegar a um centro de distribuição de comida da GHF, e mais três, que esperavam por ajuda humanitária a sudoeste da Cidade de Gaza, no norte da Faixa, segundo a Defesa Civil.
- 550 mortos desde o fim de maio -
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, um território governado pelo Hamas, quase 550 pessoas morreram e mais de 4.000 ficaram feridas nas enormes filas que se formam perto dos centros de distribuição desde que a GHF começou a funcionar no fim de maio.
A GHF afirma que suas operações se desenvolvem sem contratempos e nega que tenham ocorrido tiroteios fatais nas imediações de seus pontos de ajuda.
Paralelamente, o Exército israelense continua com suas operações militares e bombardeios em Gaza, no âmbito de uma ofensiva contra o Hamas em represália por seu ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel.
Esse ataque causou a morte 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Além disso, os milicianos islamistas sequestraram 251 pessoas, das quais 49 seguem retidas em Gaza, incluídos 27 reféns que, segundo o Exército israelense, morreram em cativeiro.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva implacável em Gaza, onde já morreram 56.331 pessoas, também civis em sua maioria, segundo o Ministério da Saúde do território governo pelo Hamas, cujos números a ONU considera confiáveis.
O.Ortiz--AT