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Ajuda dos EUA chega à Venezuela, onde muitos estão desabrigados após terremotos
Quase sete milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos poderosos terremotos na Venezuela que causaram mais de mil mortes e mais de 50 mil desaparecidos, alertou a ONU neste sábado (27), ao mesmo tempo em que a ajuda americana começa a chegar no país.
O tempo é ouro a quase 72 horas dos sismos que atingiram o país na quarta-feira (24) em menos de um minuto, os piores em 126 anos. Os trabalhos de resgate continuam lentamente enquanto a população não esconde rua revolta pela ajuda lenta e escassa do governo para escavar entre os escombros em busca de sobreviventes.
Após 72 horas de uma tragédia deste tipo, é muito difícil encontrar sobreviventes.
Marlon Ochoa, sobrevivente do desabamento de um edifício em La Guaira, a cidade mais afetada a 40 quilômetros de Caracas, conta que procura entre os escombros por sua mãe, sua esposa e seu filho, desaparecidos após o desmoronamento de seu prédio.
"Ainda não vejo as autoridades cuidado da situação aqui nesta área", disse à AFP sem esconder o desespero.
"Me disseram que estão deliberando. Deliberando o que? (...) Se hoje ninguém chegar aqui, vamos fazer uma revolução, porque aqui precisamos de coisas: maquinário, geradores, de tudo".
"Aqui estamos enfurecidos, precisamos de ajuda, há pessoas vivas e não nos dão nem as mãos nem as ferramentas", acrescentou.
- Aeroporto reaberto parcialmente -
O aeroporto internacional de Caracas, que havia sido fechado pelos danos provocados pelo terremoto, foi reaberto neste sábado (27) e está recebendo voos de cargas com ajuda dos Estados Unidos, disse um alto funcionário americano, que pediu anonimato, aos jornalistas.
Também indicou que o USS Fort Lauderdale, um navio militar anfíbio, está agora em frente às costas da Venezuela, o que permitirá realizar voos de resgate em La Guaira.
Os Estados Unidos ofereceram 150 milhões de dólares (cerca de 775,3 milhões de reais) e o envio de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela.
Socorristas estrangeiros já trabalham na Venezuela. Equipes internacionais de busca e resgate de pelo menos 17 países se mobilizaram para ajudar.
Em um necrotério de Caracas, Yessica Mendoza contou à AFP que, devido ao colapso de hospitais e serviços funerários, ela mesmo teve que levar até lá o corpo de sua filha, que morreu junto com o genro quando o prédio em que moravam desabou em La Guaira.
"Fomos nós mesmos que os tiramos de lá, não chegou nenhuma ajuda", disse essa mãe de 43 anos.
Neste sábado, em apenas uma hora, a AFP viu chegar ao necrotério pelo menos três caminhões com corpos cobertos por sacos e lençóis. À sua passagem, os veículos deixavam um odor de decomposição.
"Até 6,76 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos devastadores terremotos que abalaram a Venezuela em 24 de junho", destacou a Organização Internacional para as Migrações da ONU em um comunicado.
Centenas de pessoas que perderam suas casas ou tiveram que evacuá-las se refugiam em um estádio em La Guaira. Voluntários entram e saem levando roupas, comida e itens de primeira necessidade.
"A solidariedade que existe agora é impressionante", disse Carlos Marcano, um trabalhador portuário que perdeu sua moradia.
Um bebê recém-nascido que passou dezenas de horas preso entre os escombros foi resgatado de um edifício desabado a noite de sexta-feira (26) em La Guaira. Sua mãe também foi resgatada.
Um vídeo obtido pela AFP mostra os socorristas trabalhando sob um refletor, sobre os escombros, e retirando o bebê em meio a aplausos.
La Guaira parece uma zona de guerra. Altos prédios desabaram como castelos de cartas e se transformaram em montanhas de areia e escombros, onde é possível ver corpos.
O governo restringiu, na noite de sexta-feira, o acesso a este estado costeiro e a presidente Delcy Rodríguez anunciou sua militarização "para garantir a segurança". Ela informou que 14 mil militares e policiais foram mobilizados no estado La Guaira.
Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, foi vaiada na noite de sexta-feira ao chegar em frente a um prédio de 22 andares que desabou em Caracas.
"Fora, fora!", gritaram os moradores. "O governo não está fazendo nada pelo povo!".
O balanço oficial de mortos é de 920, mas o governo reconhece apenas algumas centenas de desaparecidos, bem distante do número de mais de 50 mil utilizado pelas Nações Unidas.
A Venezuela é um país sísmico, embora não registrasse um grande terremoto desde 1997.
R.Lee--AT