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G7 pede 'desescalada' no Oriente Médio; Trump retorna aos Estados Unidos
Os líderes do G7 pediram uma "desescalada" no conflito entre Israel e Irã e no Oriente Médio, pouco antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abandonar de maneira prematura o encontro de cúpula do grupo no Canadá.
Trump, que retornou à agenda diplomática internacional durante o encontro do G7, deixou a reunião na cidade canadense de Kananaskis de helicóptero, um dia antes do previsto, enquanto seu aliado Israel prossegue com a troca de ataques de mísseis com o Irã.
O magnata republicano utilizou sua plataforma Truth Social algumas horas para alertar os 10 milhões de habitantes da capital iraniana: "Todos deveriam deixar Teerã imediatamente!", escreveu.
Depois de hesitar sobre o apoio a uma declaração conjunta sobre a crise, Trump cedeu durante um jantar em Kananaskis.
"Exortamos para que a resolução da crise iraniana leve a uma desescalada mais ampla das hostilidades no Oriente Médio, incluindo um cessar-fogo em Gaza", afirma o comunicado publicado pelo Canadá.
A nota também afirma que Israel "tem o direito de se defender" e destaca "a importância da proteção dos civis", já que os ataques crescentes têm deixado vítimas entre as populações de ambos os lados.
Os líderes das sete economias mais avançadas do mundo — Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos — também expressaram a convicção de que o Irã "nunca poderá ter uma arma nuclear".
- "Isto é grande" -
Desde sexta-feira, Israel atacou importantes áreas nucleares e militares e matou comandantes e cientistas nucleares no Irã, que respondeu com uma série de ataques com drones e mísseis contra o território israelense.
Trump afirmou durante semanas que era favorável à diplomacia sobre a questão nuclear e seu representante, Steve Witkoff, se reuniu em cinco ocasiões com funcionários do governo iranianos, mas ele rapidamente expressou apoio aos bombardeios israelenses e afirmou que Teerã deveria ter aceitado suas condições.
Em uma foto de grupo com os líderes do G7 antes do jantar, o republicano apontou: "Tenho que voltar assim que puder. Gostaria de poder ficar até amanhã, mas eles entendem, isto é grande".
O presidente francês, Emmanuel Macron, sugeriu que Washington estava disposto a fazer uma aproximação diplomática. "Uma proposta foi apresentada para uma reunião", disse.
Trump se recusou a declarar se os Estados Unidos participarão da ofensiva militar israelense, mas insiste que o país não teve envolvimento nos bombardeios iniciais. A Casa Branca afirmou que suas forças permaneciam em postura defensiva na segunda-feira.
- Pressão sobre o Irã -
"É doloroso para ambas as partes, mas eu diria que o Irã não está ganhando esta guerra, e que deveriam conversar, e deveriam fazer isso imediatamente, antes que seja tarde demais", declarou a jornalistas durante sua reunião com o anfitrião, o primeiro-ministro canadense Mark Carney.
Trump perderá um dia de reuniões, nas quais deveria se encontrar com os líderes da Ucrânia e do México, convidados especiais do evento.
Macron afirmou algumas horas antes que forçar uma mudança de regime no Irã seria um "erro estratégico" e pediu o fim dos ataques contra os civis iranianos e israelenses.
Ele também fez um apelo para que Teerã retome as negociações com Washington.
O Irã, desde que Trump se retirou de um acordo nuclear anterior em 2018, intensificou o enriquecimento de urânio, mas ainda não a níveis que permitam ao país produzir uma bomba nuclear. É de amplo conhecimento que Israel possui armas nucleares, mas o país não reconhece publicamente.
– A espinhosa questão tarifária –
A cúpula acontece após meses de agitação no cenário global com o retorno de Trump. O objetivo de muitos dos líderes presentes na reunião é desativar sua ofensiva comercial.
O presidente republicano prometeu tarifas generalizadas tanto para aliados quanto para adversários, embora tenha adiado sua implementação até 9 de julho.
Até agora, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, conseguiu evitar uma demonstração de divisão, mas as diferenças persistem e são profundas, sobretudo em matéria de comércio.
Trump, no entanto, expressou otimismo sobre uma resolução com o Canadá e assinou documentos com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, para confirmar um acordo com o Reino Unido.
Além do México, outros convidados da reunião do G7 muito afetados pelas tarifas são Índia, África do Sul e Coreia do Sul.
H.Romero--AT