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'Arrancou uma parte de mim': iranianos contam sua vida em meio à guerra
Israel está 'mudando a face do Oriente Médio', diz Netanyahu sobre ataque ao Irã
Israel está "mudando a face do Oriente Médio" com seu ataque sem precedentes ao Irã, afirmou o premier israelense, Benjamin Netanyahu, nesta segunda-feira (16), no quarto dia da escalada militar entre os dois países.
Netanyahu participou de uma entrevista coletiva transmitida pela TV, horas após um bombardeio contra a sede da TV estatal iraniana em Teerã. Câmeras registraram o momento em que uma apresentadora deixou rapidamente o estúdio, enquanto parte do teto se soltava e uma poeira densa se espalhava, segundo vídeos divulgados por veículos iranianos.
A emissora interrompeu sua programação ao vivo, que foi retomada minutos depois. Teerã chamou o ataque de "crime de guerra".
Os iranianos veem "que o regime é muito mais frágil" do que pensavam, comentou Netanyahu, ao lembrar que Israel atingiu a cúpula militar iraniana. "Nós os eliminamos um a um." Matar o líder supremo do Irã "encerraria o conflito" entre os dois países, afirmou ao canal ABC News.
- Telefonema -
Paralelamente a uma reunião de cúpula do G7 no Canadá, o presidente americano, Donald Trump, voltou a pedir ao Irã para dialogar, "antes que seja tarde demais".
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, ressaltou que Washington poderia interromper os ataques de Israel com "um telefonema", e que isso "abriria o caminho para o retorno à diplomacia". Na noite de hoje, o Irã pediu que dois canais de TV israelenses fossem evacuados: N12 e N14.
Em Teerã, o Grande Bazar, maior mercado da capital, permaneceu fechado hoje. As ruas também ficaram desertas, enquanto longas filas de veículos tentavam deixar a cidade.
Postos de gasolina ficaram cheios. Um vendedor informou que muitas pessoas estavam estocando combustíveis e que seu comércio ficou "sem estoques de água".
- Mísseis contra Israel -
Após décadas de uma guerra indireta e de operações pontuais, esta é a primeira vez que os dois países se enfrentam militarmente de forma intensa.
O Exército israelense detectou hoje mísseis lançados do Irã em direção ao norte do país, e pediu que os moradores buscassem refúgio. Horas antes, a república islâmica atacou várias cidades de Israel, onde morreram pelo menos 11 pessoas, segundo os serviços de emergência.
Imagens de Tel Aviv registradas pela AFPTV mostram prédios destruídos, nos quais os bombeiros procuravam possíveis sobreviventes. Os projéteis também atingiram Petah-Tikva, Bnei-Brak, perto de Tel Aviv, e Haifa, no norte do país.
Os ataques de Israel deixaram pelo menos 224 mortos desde sexta-feira e mais de mil feridos no Irã, informou no domingo o Ministério da Saúde. No lado israelense, o balanço de vítimas subiu para 24 mortos desde sexta-feira, informou o gabinete do primeiro-ministro.
- Casas destruídas -
Nesta segunda-feira, foram reportados 11 mortos. Na véspera, três israelenses morreram no bombardeio a uma refinaria de petróleo em Haifa, informaram autoridades.
Em Petah Tikva, perto de Tel Aviv, Henn disse que correu para um abrigo quando ouviu as sirenes. "Alguns minutos depois, ouvimos uma explosão e, quando saímos, vimos os danos, todas as casas destruídas", relatou.
Israel e as potências ocidentais acusam o Irã de querer desenvolver armas nucleares, o que Teerã nega, alegando que defende seu direito de desenvolver um programa nuclear civil.
Os ataques de Israel atingiram, entre outros, o centro de enriquecimento de urânio de Natanz, no centro do país, cuja parte superficial foi destruída, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A AIEA destacou nesta segunda-feira que "não houve um ataque" na parte subterrânea da instalação, onde fica a principal unidade de enriquecimento de urânio.
Além da capital iraniana, Israel atacou hoje a cidade sagrada de Mashhad, instalações militares no oeste, um quartel dos bombeiros em Musiyan e um hospital em Kermanshah, segundo a agência Tasnim.
A força aérea de Israel atacou centros de comando em Teerã das Forças Quds, braço da Guarda Revolucionária iraniana encarregado de operações no exterior, segundo o Exército.
N.Mitchell--AT