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Quatro mortos em vários ataques de guerrilheiros na Colômbia
Quatro pessoas morreram, nesta terça-feira (10), em 19 ataques de guerrilheiros que lançaram disparos, drones e explodiram carros-bomba no sudoeste da Colômbia, informaram as autoridades.
A região é reduto de dissidentes do extinto grupo guerrilheiro Farc, em guerra com o governo do presidente Gustavo Petro.
Os ataques ocorreram após um atentado no sábado em Bogotá contra o senador e pré-candidato presidencial Miguel Uribe, ferido por três tiros. O político de 39 anos recebe tratamento intensivo em uma clínica na capital e seu estado de saúde é estável, mas crítico, segundo os médicos.
O general Carlos Triana, superintendente da Polícia Nacional, disse que ataques "indiscriminados" foram registrados nos departamentos de Valle del Cauca e Cauca.
Em declarações à W Rádio, Triana afirmou que dois agentes e dois civis morreram. Além disso, há 12 feridos, entre eles três uniformizados, acrescentou.
Um dos policiais mortos estava em Cali, a terceira maior cidade da Colômbia, onde os ataques com motos carregadas de explosivos tiveram as delegacias como alvo.
Os outros ocorreram em municípios como Jamundí, vizinho de Cali, Corinto e no porto de Buenaventura, o mais importante porto colombiano no Pacífico.
Na maioria dos ataques, foram registrados apenas danos materiais até o momento.
Em outro povoado, chamado Morales, há combates entre os rebeldes e a força pública, disse Triana.
Este é um dos piores ataques de guerrilheiros durante o governo Petro, que chegou ao poder em agosto de 2022 com o objetivo de negociar a paz com todos os grupos armados ilegais do país, mas até agora não conseguiu chegar a acordos com nenhum deles.
Em janeiro, rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN) mataram mais de 100 pessoas na fronteira com a Venezuela.
- "Insanos" -
Os atos marcam o aniversário da morte, pela polícia em 2022, do guerrilheiro conhecido como Mayimbú, disse o general Triana, que descreveu os eventos como "insanos".
Um fotógrafo da AFP em Corinto viu um automóvel usado como carro-bomba destruído em frente a um estabelecimento comercial com danos estruturais.
Luz Amparo Hincapié, dona de uma padaria naquele município, disse que, no momento do ataque, tinha acabado de sair de casa com o marido a caminho do seu negócio.
A explosão foi tão forte que "pensamos que tivesse havido um terremoto", disse à AFP. Quando chegou à rua onde fica sua padaria, viu todos os vidros quebrados. "Vi que tudo estava destruído", lamentou.
- Guerra aberta -
Os rebeldes que operam no sudoeste do país seguem ordens do principal líder dissidente do país, conhecido como Iván Mordisco.
Embora seu grupo, conhecido como Estado-Maior Central (EMC), ataque regularmente as forças de segurança e a população, ataques simultâneos em tão grande escala nunca haviam ocorrido antes.
Petro compara Mordisco ao chefão da cocaína assassinado, Pablo Escobar.
Com operações militares em larga escala, ele tentou encurralar seus homens em uma região montanhosa do Cauca conhecida como Cânion Micay. Os rebeldes controlam as plantações nessa região de folha de coca, o principal componente da cocaína.
As autoridades declararam recentemente que estão perto de localizar Mordisco, que aparentemente se desloca pela Amazônia após ser ferido em uma operação do exército.
Acredita-se que ele esteja usando os ataques para distrair os militares.
O EMC participou dos diálogos de paz com o presidente de esquerda, mas em abril de 2024 Mordisco abandonou as negociações.
O.Ortiz--AT