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Ucranianos estão céticos após conversa entre Trump e Putin
"Discutir com a Rússia é como bater a cabeça contra um muro", diz a estudante ucraniana Daryna, expressando o ceticismo que reina em Kiev após a conversa por telefone entre Vladimir Putin e Donald Trump, que descartou qualquer pressão adicional ao governo russo.
Embora o presidente dos Estados Unidos, que deseja o fim rápido da guerra entre Ucrânia e Rússia, tenha se mostrado positivo após essa ligação de cerca de duas horas na segunda-feira (19), seu diálogo não gerou avanços importantes.
"Nada mudou", constatou Vitali, um engenheiro de 53 anos entrevistado pela AFP no centro de Kiev, mais de três anos após o início da invasão russa, que causou dezenas de milhares de mortes.
Vitali não tem nenhuma esperança em Trump e considera que suas promessas de acabar rapidamente com a guerra "foram apenas slogans de campanha" eleitoral. Mas apoia a ideia de negociar diretamente com a Rússia.
"Talvez isso facilitaria parar o banho de sangue e depois as coisas poderiam ser resolvidas pela via diplomática", acrescenta Vitali, que diz que "muitos amigos morreram na linha de frente".
- Falta de confiança -
Durante a conversa entre Trump e Putin, o presidente russo rejeitou mais uma vez o cessar-fogo solicitado pela Ucrânia e seus aliados, mas afirmou estar disposto a trabalhar em um "memorando" com a Ucrânia, etapa prévia, segundo ele, antes de um "possível tratado de paz".
Apesar da falta de progresso concreto, o presidente americano celebrou os "avanços alcançados" e anunciou que ambos os beligerantes "iniciariam imediatamente negociações visando" uma trégua.
O desejo de Trump de normalizar as relações com a Rússia desde seu retorno à Casa Branca em janeiro já havia incomodado os ucranianos, que estão perdendo cada vez mais a confiança em Washington, principal aliado de Kiev desde o início da guerra.
"Não vejo a paz se aproximando", lamenta à AFP Victoria Kiseliova, professora aposentada, que diz não ter "nenhuma" confiança no presidente dos Estados Unidos e aponta que a Rússia e Putin "são muito agressivos".
"Eu conto agora é com os líderes europeus", acrescentou.
Ela cita o presidente francês Emmanuel Macron, que "está muito ativo neste momento", e o novo papa Leão XIV, que "também é muito positivo" e "inteligente". "Neles eu tenho esperança", afirma.
- "Putin está com medo" -
Victoria Kiseliova também é favorável a negociações diretas entre Putin e o presidente ucraniano Volodimir Zelensky.
"Putin está com medo. Está com medo de nós, está com medo de Zelensky", assegura ela, que confia na vitória da Ucrânia, mais cedo ou mais tarde.
Putin se recusou a viajar para a Turquia na semana passada, após o convite de Zelensky para negociações diretas entre russos e ucranianos em Istambul, que não se traduziram em resultados importantes, exceto pela promessa de troca de prisioneiros.
Daryna, a estudante de 21 anos, também não tem confiança no presidente americano e menos ainda na vontade da Rússia de aceitar o cessar-fogo ou acabar com a invasão.
"Não faz sentido falar com o país agressor, é inútil", declarou. "É um país que está sempre em guerra e sempre estará, isso não será resolvido com negociações", concluiu a jovem.
Y.Baker--AT