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Putin não participará de diálogos com Ucrânia na Turquia
O presidente russo, Vladimir Putin, não comparecerá na quinta-feira aos diálogos com a Ucrânia em Istambul, segundo o Kremlin, que nomeou em seu lugar uma equipe de menor escalão para os primeiros contatos diretos entre as partes após mais de três anos de conflito.
A lista divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Kremlin inclui o assessor presidencial Vladimir Medinski, o vice-ministro das Relações Exteriores, Mikhail Galuzin, e o vice-ministro da Defesa, Aleksandr Fomin.
Além de Putin, também não participarão o chanceler russo, Serguei Lavrov, nem o assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, apesar de ambos terem liderado rodadas anteriores de negociações com os Estados Unidos.
O anúncio pôs fim às esperanças de que o presidente russo se reunisse com seu par ucraniano, Volodimir Zelensky.
Putin havia proposto o encontro no sábado, como contraproposta a um cessar-fogo de 30 dias sugerido por Kiev e seus aliados. Mas, enquanto Zelensky afirmou que compareceria "pessoalmente", o Kremlin não revelou os nomes da delegação russa até a noite desta quarta-feira.
As conversações na cidade turca serão as primeiras entre russos e ucranianos desde março de 2022, um mês após o início da ofensiva russa na Ucrânia.
Zelensky advertiu que a ausência de Putin seria interpretada como falta de vontade para alcançar a paz.
"Espero ver quem virá da Rússia. Depois disso, decidirei quais medidas tomar", declarou nesta quarta-feira. "A Ucrânia está disposta a qualquer forma de negociação e não temos medo de reuniões", acrescentou.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, por sua vez, pediu uma trégua "imediata" na Ucrânia e uma "paz justa".
– Trump propôs viajar à Turquia –
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva instou por telefone Putin a viajar à Turquia para negociar uma saída para a guerra com Zelensky.
Dezenas de milhares de pessoas morreram e milhões foram forçadas a abandonar suas casas desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
O Exército russo atualmente controla cerca de um quinto do território da ex-república soviética, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
Ao retornar à Casa Branca em janeiro, Trump prometeu pôr fim à ofensiva na Ucrânia.
Desde então, vem exercendo forte pressão, mas nos últimos dias expressou frustração, sobretudo depois de a Rússia rejeitar uma proposta inicial de cessar-fogo de 30 dias.
Antes do anúncio russo, o presidente republicano havia dito que poderia viajar à Turquia se seu homólogo russo também o fizesse.
"Não sei se ele [Putin] iria se eu não estivesse lá", afirmou Trump a bordo do Air Force One nesta quarta-feira.
"Sei que ele gostaria que eu estivesse lá, e é uma possibilidade. Se pudéssemos acabar com a guerra, eu consideraria", acrescentou enquanto voava da Arábia Saudita para o Catar.
Trump afirmou que planejava estar nos Emirados Árabes Unidos na quinta-feira, na terceira e última etapa de sua viagem pelo Golfo. Mas, ao ser questionado sobre uma possível ida à Turquia, respondeu: "Isso não significa que eu não o faria para salvar muitas vidas".
O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, tem prevista uma viagem a Istambul na sexta-feira.
– "Paz ditada" por Moscou –
Rubio ameaçou repetidas vezes abandonar os esforços diplomáticos. E, apesar das negociações previstas, ambas as partes mantêm grandes divergências sobre como encerrar o conflito.
Putin exige que a Ucrânia desista de ingressar na Otan e garante que manterá os territórios ucranianos anexados. Mas essas condições são inaceitáveis para Kiev e seus aliados.
Kiev, por sua vez, quer "garantias de segurança" sólidas para evitar qualquer novo ataque russo e exige a retirada do Exército de Moscou de seu território.
Os europeus, aliados da Ucrânia, mas com dificuldade para serem ouvidos, ameaçaram a Rússia com sanções "massivas" caso não aceite um cessar-fogo nos próximos dias. A União Europeia aprovou nesta quarta-feira um 17º pacote de sanções.
O chefe de governo alemão, Friedrich Merz, exortou os demais países europeus e os Estados Unidos a manterem "a maior unidade possível" e rejeitarem uma "paz ditada" por Moscou.
N.Mitchell--AT