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Extrema direita britânica consolida ascensão e tira cadeira de trabalhistas
Os trabalhistas britânicos, no poder desde julho, sofreram uma derrota nesta sexta-feira (2), em seu primeiro teste eleitoral, ao perder uma cadeira no Parlamento para o partido de extrema direita Reform UK, em eleições legislativas parciais no noroeste da Inglaterra.
"É um momento muito, muito importante para o partido", reagiu Nigel Farage, líder do Reform UK e um dos maiores entusiastas do Brexit, que fez uma campanha centrada na luta contra a imigração irregular.
A vitória nos distritos de Runcorn e Helsby "demonstra que agora somos o partido de oposição ao governo trabalhista" (centro-esquerda), do primeiro-ministro Keir Starmer, escreveu Farage no X.
O premiê classificou a derrota de seu partido como "decepcionante", embora tenha reafirmado sua determinação de ir "mais longe e mais rápido" nas reformas, em uma entrevista ao canal GB News.
O triunfo confirma a ascensão do Reform UK e da extrema direita, além de uma fragmentação do panorama político no Reino Unido, antes das próximas eleições parlamentares, em 2029.
A candidata da legenda, Sarah Pochin, venceu o pleito de quinta-feira em Runcorn e Helsby por seis votos a mais que a candidata trabalhista Karen Shore.
Após esta vitória, o partido de extrema direita tem cinco assentos, dos 650 do Parlamento, depois do seu avanço histórico nas legislativas de julho de 2024.
- Vitória por seis votos -
A eleição legislativa parcial nestas localidades ocorreu após a renúncia do deputado trabalhista Mike Amesbury, condenado por agredir um homem durante uma briga noturna.
O Partido Trabalhista havia vencido nesse distrito eleitoral em julho com 53%, bem à frente do Reform UK, que obteve 18%.
Além da cadeira parlamentar de Runcorn e Helsby, estava em jogo um total de 1.641 assentos em 23 municípios e seis prefeituras.
De acordo com as pesquisas, antes deste pleito, a primeira votação desde que os trabalhistas chegaram ao poder em julho, os britânicos expressaram desilusão com os dois principais partidos.
Os cidadãos expressaram preocupação com o fraco crescimento econômico, os números da migração irregular e os serviços públicos em crise.
De acordo com o sistema eleitoral britânico, que favorece os principais partidos, os trabalhistas obtiveram uma maioria parlamentar esmagadora em julho, com 412 cadeiras de um total de 650, apesar de terem obtido 33,7% dos votos.
Os conservadores, por sua vez, registraram 24% dos votos e 121 assentos, a pior derrota eleitoral de sua história.
- Bons resultados para o Reform UK -
O Reform UK conquistou cinco cadeiras nas legislativas de julho, que foram reduzidas a quatro após a expulsão de um de seus parlamentares, um resultado inédito para um partido de extrema direita no Reino Unido.
Os trabalhistas estão vivendo um retorno ao poder complexo, após 14 anos na oposição.
Starmer, cuja popularidade caiu nas pesquisas, não conseguiu reacender a economia e seu governo foi duramente criticado por ter eliminado alguns benefícios sociais.
As eleições também são um teste para Kemi Badenoch, que assumiu a liderança do partido conservador no final do ano passado, enfraquecido após seu fracasso no pleito legislativo.
De acordo com os primeiros resultados, além das eleições legislativas parciais, o Reform UK conquistou dezenas de assentos em conselhos locais, assim como, pela primeira vez, uma prefeitura.
Já os trabalhistas venceram em três municípios.
Com 26% dos votos em nível nacional, o Reform UK supera os trabalhistas (23%) e os conservadores (20%), de acordo com uma pesquisa do YouGov publicada na terça-feira.
"É uma tendência semelhante à que se vê na Europa Ocidental, onde os grandes partidos estão perdendo votos. E a política se torna muito, muito fragmentada", disse à AFP Anand Menon, professor de política europeia do King's College de Londres.
Segundo ele, o partido de extrema direita "parece ser uma ameaça maior aos trabalhistas do que qualquer outro partido".
Christopher Davies, um aposentado de 67 anos de Runcorn, votou no Partido Trabalhista durante toda a sua vida, mas desta vez escolheu o Reform UK, contando à AFP sua "insatisfação" com Starmer.
A.Taylor--AT