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Senador americano chega a El Salvador para negociar retorno de deportado preso
O senador americano Chris Van Hollen chegou a El Salvador nesta quarta-feira (16) para negociar o retorno do migrante salvadorenho Kilmar Ábrego García, deportado "por engano" por Washington há um mês e preso no país desde então.
"Acabei de aterrissar no aeroporto de San Salvador há alguns instantes (...) Como disse, o objetivo de minha visita é falar com as pessoas daqui sobre a libertação de Kilmar Ábrego García", declarou o congressista em um vídeo publicado em sua conta X.
O salvadorenho gerou controvérsia entre a Justiça americana e o governo do presidente Donald Trump, que admite tê-lo deportado "por engano".
Casado com uma americana e pai de uma criança, Ábrego García foi uma das mais de 250 pessoas expulsas para El Salvador em 15 de março pelo governo Trump, que invocou a Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798.
Desde então, ele está preso em uma mega-prisão de alta segurança, apesar da ordem de um juiz federal dos EUA, apoiada pela Suprema Corte, pedindo que ele seja trazido de volta.
O governo diz que não está em seu poder trazê-lo de volta.
Van Hollen decidiu então viajar ao país centro-americano, uma iniciativa apoiada por outros congressistas democratas, dois dias depois de uma visita à Casa Branca do presidente salvadorenho Nayib Bukele, que se alinhou a Trump, dizendo que ele também não possui "o poder" para mandá-lo de volta.
"Espero reunir-me com funcionários de alto escalão do governo e ter a oportunidade de ver Ábrego García para informar sobre sua condição, mas meu propósito geral é enviar um sinal de que não vamos deixar de lutar por seu retorno", afirmou Van Hollen no vídeo.
O congressista disse que entrou em contato com a embaixada salvadorenha em Washington, mas não sabe com quem poderá se encontrar no momento.
- "Mentiram sobre ele" -
O governo Trump acusa-o, sem apresentar provas, de pertencer à gangue MS-13, considerada "terrorista" por Washington.
"O Departamento de Segurança Interna disse que, se ele se apresentar em um porto de entrada, vão deportá-lo a outro país ou retirar-lhe o status de proteção e mandá-lo de volta para El Salvador. Bem, isso seria uma violação direta da ordem judicial" que exigia a "facilitação" de seu retorno, reclamou Van Hollen.
"Eles mentiram sobre ele", disse o senador do estado de Maryland, perto de Washington, onde Ábrego García residia com sua esposa.
O governo reconheceu que o salvadorenho foi deportado devido a um "erro administrativo", já que em 2019 um tribunal revogou permanentemente a possibilidade de deportá-lo para El Salvador.
"Trata-se do devido processo, do Estado de Direito", disse Van Hollen, afirmando que os "valentões" começam "atacando os mais vulneráveis".
- "Terror e trauma" -
Para o senador, é necessário "respeitar as ordens judiciais", porque "o que separa os Estados Unidos do autoritarismo e da tirania é que respeitamos o Estado de Direito, independentemente de seu status ou posição na sociedade, e se você jogar isso pela janela, Deus nos abençoe, porque então todos os americanos poderiam ser submetidos a esse tipo de terror e trauma".
Na terça-feira, antes de uma audiência no tribunal, a esposa do migrante, Jennifer Vasquez Sura, pediu a Trump e Bukele que parassem de "brincar de política com a vida de Kilmar".
Na audiência, a juíza Paula Xinis, que solicitou um boletim diário sobre o paradeiro e a situação do salvadorenho, e sobre as ações tomadas ou previstas para "facilitar seu retorno", questionou que recebeu "muito pouca informação interessante".
No sábado, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou pela primeira vez que Ábrego García "está vivo e seguro" na prisão Cecot, em El Salvador.
O Poder Executivo se recusa a fornecer informações sobre as medidas adotadas ou previstas para o seu retorno e faz uma interpretação peculiar da decisão da Suprema Corte. Considera que o tribunal apenas solicita que "remova obstáculos internos que, de outra forma, impediriam que este estrangeiro retornasse" aos Estados Unidos.
Os congressistas democratas Cory Booker, Maxwell Alejandro Frost e Robert Garcia também planejam viajar para El Salvador, de acordo com a imprensa americana.
N.Walker--AT