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Congresso do Peru destitui ministro após assassinato de cantor
O Congresso do Peru censurou nesta sexta-feira (21) o ministro do Interior, Juan José Santiváñez, que terá que deixar o cargo, pressionado pela falta de resultados na luta contra o crime organizado.
Por 79 votos a favor, 11 contra e 20 abstenções, o parlamento aprovou a censura ao ministro "por sua responsabilidade política e incapacidade de enfrentar a onda de insegurança" no país, segundo moção, votada em sessão pública. Eram necessários 66 votos para retirá-lo do cargo.
A destituição encerra uma semana tensa, após o assassinato, no último domingo, do cantor de cúmbia Paul Flores. Um grupo criminoso exigia dinheiro da banda de Flores para não matá-los.
A votação ocorreu horas antes de uma manifestação em Lima para exigir do governo medidas contra as extorsões e a violência, além da renúncia do ministro.
Após o assassinato, o governo decretou estado de emergência por um mês em Lima, para que os militares ajudem a polícia em suas operações contra o crime organizado.
Nos primeiros três meses do ano, 459 homicídios foram registrados por conta da violência urbana no Peru, segundo o Sistema Informatizado Nacional de Óbitos. A imprensa peruana indicou que essa é a cifra mais alta das últimas duas décadas.
A presidente Dina Boluarte tem até 72 horas para nomear o sucessor de Santiváñez, um advogado de 47 anos, que estava no cargo há 10 meses. Ele acumulava questionamentos à sua gestão por enfrentar o Ministério Público (MP) e ONGs de defesa dos direitos humanos e da imprensa.
Santiváñez é investigado pelo MP por suposto abuso de autoridade decorrente do escândalo em torno de relógios de luxo não declarados pela presidente do país.
O Peru vive um clima crescente de insegurança, que teve início em meados de 2024, quando cinco motoristas foram assassinados. Segundo autoridades, o crime organizado mudou substancialmente nos últimos anos no Peru, devido ao tráfico de armas e à presença de grupos como o Tren de Aragua, de origem venezuelana.
E.Hall--AT