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Maduro pede à ONU que proteja venezuelanos enviados por EUA a prisão em El Salvador
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta segunda-feira (17) que pedirá à ONU mecanismos de proteção aos venezuelanos enviados pelos Estados Unidos a uma prisão de segurança máxima de El Salvador, acusados por Washington de pertencerem ao grupo criminoso Trem de Aragua.
Os Estados Unidos transferiram no domingo, para a prisão salvadorenha, 238 venezuelanos, depois que o presidente Donald Trump invocou uma lei de mais de 200 anos de idade que permite expulsões de "inimigos externos" sem julgamento prévio.
"Estou firmando hoje uma série de comunicações para o Secretário-Geral das Nações Unidas [António Guterres], para o alto comissário de direitos humanos, Volker Türk" e "órgãos distintos" para que "os mecanismos de direitos humanos sejam ativados para a proteção de venezuelanos e venezuelanas", disse Maduro em seu programa na televisão estatal.
Maduro, que tachou a decisão do governo Trump de "anacrônica" e "ilegal", indicou que vai buscar a repatriação dessas pessoas.
"Esses migrantes venezuelanos, que foram sequestrados, que não tiveram direito à defesa, que são classificados como assassinos, terroristas [...], que foram colocados em um campo de concentração em El Salvador, têm direito à defesa e não vou descansar até que consigamos o seu resgate e o seu retorno, sãos e salvos", expressou o governante chavista.
"Eles não são terroristas, não são delinquentes, não são assassinos, nossos migrantes são gente de bem", opinou.
Mais cedo, o chefe negociador de Maduro nos contatos retomados entre Caracas e Washington, apesar da ruptura de relações que se mantém desde 2019, Jorge Rodríguez, considerou que a transferência de venezuelanos para uma prisão salvadorenha constitui "um crime contra a humanidade".
O chavismo convocou manifestações contra a medida de Washington para terça e quarta-feira.
Além disso, o governo Maduro, investigado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por acusações de crimes de lesa-humanidade na repressão a protestos opositores, emitiu uma recomendação para que os cidadãos da Venezuela evitem viajar aos Estados Unidos.
"Já está em vigor o chamado oficial da Chancelaria", ressaltou Maduro.
A líder opositora María Corina Machado, que denuncia a reeleição de Maduro como fraudulenta, apoiou em um comunicado as medidas que os Estados Unidos e outros países estão tomando para "penalizar" integrantes do Trem de Aragua.
Ela pediu, no entanto, que se tome "precauções extremas" para evitar "uma criminalização injusta dos imigrantes venezuelanos", bem como "medidas de proteção" para que eles possam permanecer nos países de acolhimento.
H.Gonzales--AT