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Juiz autoriza que palestino ameaçado com deportação fale em privado com advogados
O líder dos protestos estudantis contra a guerra de Israel em Gaza, Mahmoud Khalil, detido no sábado em Nova York pelas autoridades migratórias dos Estados Unidos com vistas à sua deportação, poderá falar em privado com seus advogados, anunciou um juiz nesta quarta-feira (12).
Khalil, graduado pela Universidade de Columbia e uma das figuras mais proeminentes do movimento de protesto que eclodiu no ano passado no campus da prestigiada universidade nova-iorquina para pedir um cessar-fogo em Gaza, foi detido pelas autoridades migratórias e transferido para um centro de detenção de migrantes na Luisiana (sul).
Seus advogados denunciaram que, até agora, não conseguiram falar com ele em privado.
O presidente dos EUA, Donald Trump, havia prometido deportar os manifestantes estudantis estrangeiros pró-palestinos.
Um juiz suspendeu o que parecia ser a expulsão iminente de Khalil, apesar de ele ter residência permanente e ser casado com uma cidadã americana.
Por enquanto, o jovem permanecerá detido.
Está previsto que o juiz decida na próxima segunda-feira se seu caso deve ser tratado pela jurisdição de Nova Jersey, onde ele foi processado, ou pela Luisiana, como deseja a promotoria, enquanto os advogados querem que o caso seja ouvido em Nova York.
No momento, Khalil não é acusado de infringir nenhuma lei, mas as autoridades indicaram que pretendem revogar sua residência permanente devido à sua participação nas manifestações.
Sua detenção gerou indignação entre os críticos à administração Trump, bem como entre defensores das liberdades fundamentais, incluindo membros da direita política, que consideram que uma medida como essa ameaça a liberdade de expressão.
- "Liberdade de expressão?" -
Khalil foi "detido e processado para deportação... porque defendia os direitos dos palestinos", disse seu advogado Ramzi Kaseem ao juiz Jesse Furman, que ordenou que o detido possa falar privadamente com seus advogados uma vez por dia.
Kaseem se queixou ao juiz de que seu cliente só conseguiu conversar com seus advogados por telefone sob vigilância.
Em frente ao tribunal no sul de Manhattan, centenas de pessoas com bandeiras palestinas pediam a liberdade de Khalil.
A atriz Susan Sarandon esteve no tribunal para apoiar o detido, que não esteve presente.
O secretário de Estado, Marco Rubio, refutou nesta quarta-feira a afirmação de que a detenção seja um ataque à liberdade de expressão.
"Trata-se de pessoas que, para começar, não têm direito de estar nos Estados Unidos", disse Rubio a jornalistas no aeroporto irlandês de Shannon, a caminho de uma reunião de ministros de Relações Exteriores do G7.
"E se você acabar tendo um green card, não a cidadania, mas um green card como resultado desse visto, enquanto estiver aqui [realizando] essas atividades, vamos te expulsar. Simples assim", concluiu.
O Departamento de Segurança Nacional, ao anunciar a detenção de Khalil, afirmou que sua prisão responde às "ordens executivas do presidente Trump que proíbem o antissemitismo, em coordenação com o Departamento de Estado".
Na terça-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que as autoridades haviam fornecido uma lista de outros estudantes da Universidade de Columbia que os agentes buscam deportar por sua suposta participação nas manifestações.
A universidade — que já perdeu 400 milhões de dólares (R$ 2,33 bilhões) em financiamento federal devido a acusações de não abordar adequadamente o antissemitismo — não estava cooperando, acrescentou.
Os campi de todo o país foram abalados no ano passado por protestos estudantis contra a guerra de Israel em Gaza, alguns dos quais resultaram em violentos confrontos entre a polícia e os manifestantes.
Trump e outros republicanos acusaram, em geral, os manifestantes de apoiar o Hamas, considerado pelos Estados Unidos como um grupo terrorista, cujo ataque mortal de 7 de outubro de 2023 em solo israelense desencadeou a guerra que causou pelo menos 48.440 mortes, a maioria civis, na Faixa de Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
R.Lee--AT