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Zelensky deseja 'vínculos sólidos' com EUA, apesar das críticas de Trump
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, afirmou nesta quinta-feira (20) que deseja "vínculos sólidos" com os Estados Unidos, um dia depois de Donald Trump o chamar de "ditador" e após sua reunião em Kiev com o emissário americano Keith Kellogg.
As tensões entre Zelensky e Trump se exacerbaram esta semana, depois da reunião de alto nível entre Rússia e Estados Unidos, a poucos dias de a invasão russa à Ucrânia completar três anos.
Zelensky afirmou nesta quinta-feira que teve uma "reunião produtiva" com Kellogg.
"Tivemos uma conversa detalhada sobre a situação no campo de batalha, sobre como conseguir o retorno dos prisioneiros de guerra e implementar garantias de segurança efetivas", escreveu Zelensky nas redes sociais.
"Relações sólidas entre Ucrânia e Estados Unidos beneficiam o mundo inteiro", declarou.
Os Estados Unidos têm sido o principal apoio militar e econômico da Ucrânia, mas o diálogo aberto por Trump com o presidente russo, Vladimir Putin, gera preocupação na ex-república soviética e nos países europeus, que temem ficar marginalizados das conversas para encerrar o conflito.
Trump e Zelensky trocaram duros ataques pessoais e, na quarta-feira, o mandatário ucraniano acusou o presidente republicano de viver em "um espaço de desinformação" russo e de ajudar Putin a "sair de anos de isolamento".
Em resposta, Trump o chamou de "ditador" e ressaltou que "deveria agir rápido ou não lhe restará um país".
A tensão refletiu-se na falta de um comunicado conjunto após o encerramento da reunião, como é habitual neste tipo de encontro.
- 'Inaceitáveis' -
Em sua enxurrada de críticas, o presidente americano citou, entre outras coisas, números falsos sobre a popularidade de Zelensky e o instou a convocar eleições.
O mandato de Zelensky deveria ter terminado em maio de 2024, mas a Ucrânia não organizou eleições por causa da lei marcial que impera devido ao conflito. A guerra obrigou milhões de pessoas a fugirem do país, onde 20% do território está sob ocupação russa.
Nos Estados Unidos, alguns altos cargos do governo pediram a Zelensky que baixasse o tom antes da reunião com Kellogg.
As críticas da Ucrânia aos Estados Unidos são "inaceitáveis", disse à emissora Fox News o conselheiro de segurança nacional de Trump, Mike Waltz.
Diante da virulência das acusações de Trump, o presidente ucraniano recebeu apoio de vários líderes europeus, em especial do chanceler alemão, Olaf Scholz; do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e do presidente francês, Emmanuel Macron.
"A Ucrânia é uma democracia, a Rússia de Putin, não", disse o porta-voz da União Europeia, Stefan Keersmaecker, nesta quinta, acrescentando que Zelensky foi "legitimamente eleito em eleições livres".
O chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que viajará a Kiev na segunda-feira, data do terceiro aniversário da invasão russa, para "reafirmar o apoio da Espanha à democracia ucraniana".
- 'Poucas coisas concretas' -
"Decidiu-se começar a retomada do diálogo russo-americano em todos os aspectos", disse o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, acrescentando que Moscou estava "absolutamente de acordo" com a abordagem de Washington para resolver o conflito na Ucrânia.
Peskov, no entanto, disse que, por enquanto, há "poucas coisas concretas" devido principalmente a "discordâncias entre Washington e Kiev".
O porta-voz do Kremlin, no entanto, enfatizou que Washington continua sendo a "principal locomotiva" e a fonte da "maior contribuição financeira para alimentar" a guerra.
Putin comemorou a retomada do diálogo entre o seu país e os Estados Unidos nesta quinta-feira.
"Eu adoraria me reunir com Donald [Trump]", acrescentou o presidente russo, referindo-se ao seu colega americano pelo primeiro nome.
A.Anderson--AT