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Israelenses se reúnem com o 'coração partido' para receber corpos de reféns
Acenando bandeiras israelenses, dezenas de pessoas se reuniram, nesta quinta-feira (20), sob um céu carregado em Kissufim, no sul de Israel, para receber um longo comboio que trouxe os restos mortais de quatro reféns mortos, devolvidos pelo Hamas em Gaza.
Pouco antes, vários homens armados e encapuzados entregaram, perto de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, os caixões pretos que deviam conter os corpos de Shiri Bibas e seus dois filhos, Ariel e Kfir, de origem argentina, e do octogenário Oded Lifshitz.
Trata-se da primeira entrega de corpos de reféns pelo movimento islamista palestino Hamas desde seu ataque, em 7 de outubro de 2023, que foi o estopim para a guerra em Gaza.
A entrega dos corpos ocorre no contexto de um cessar-fogo, iniciado em 19 de janeiro, e após várias trocas de reféns por presos palestinos detidos em Israel.
Uma centena de pessoas também se reuniram na "praça dos reféns" em Tel Aviv, onde são convocadas regularmente manifestações para exigir a libertação dos reféns.
"Este é um dos dias mais difíceis desde 7 de outubro", afirmou Tania Coen Uzzielli, diretora de museu de 59 anos, presente na praça.
"Acredito que todos e cada um de nós carregamos um tipo de sentimento de culpa, de que talvez poderíamos ter feito mais, de que talvez não fizemos o suficiente para impedir esta tragédia", acrescentou.
Vários telões mostravam na praça imagens da família Bibas e de Oded Lifshitz, enquanto algumas pessoas seguravam balões laranjas em alusão ao cabelo avermelhado das duas crianças.
A morte de Shiri Bibas e de Ariel e Kfir, que tinham, respectivamente, 4 anos e 8 meses quando foram sequestrados, foi anunciada em novembro de 2023 pelo Hamas, mas Israel nunca a confirmou.
"Não há outras palavras, estou com o coração partido", declarou Sharon Gazit, morador de Tel Aviv de 60 anos, na praça dos reféns.
- "Peço perdão" -
Os caixões chegaram no começo da tarde ao instituto médico legal Abu Kabir de Tel Aviv. Centenas de pessoas se reuniram nas imediações com bandeiras israelenses para prestar suas homenagens.
A identidade dos corpos deve ser confirmada após o processo de identificação, um procedimento habitual no país em caso de morte de reféns ou soldados.
O presidente israelense, Isaac Herzog, declarou que a volta dos reféns mortos é um drama nacional. "Agonia. Sofrimento. Não há palavras", "os corações de toda a nação estão destroçados", escreveu no X.
"Em nome do Estado de Israel, abaixo a cabeça e peço perdão. Perdão por não tê-los protegido nesse dia terrível. Perdão por não tê-los trazidos para casa com vida", acrescentou.
Desde que começou o cessar-fogo, no âmbito da primeira fase de um acordo negociado por Catar, Egito e Estados Unidos, foram libertados 19 reféns israelenses em troca de mais de 1.100 presos palestinos.
Na quarta-feira, o Hamas afirmou que está disposto a libertar "de uma única vez" e não em etapas sucessivas todos os reféns retidos na Faixa de Gaza durante a segunda fase da trégua, que deve começar em 2 de março.
K.Hill--AT