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Zelensky adverte que Rússia 'fará a guerra' contra a Otan
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, acredita que a Rússia está se preparando para "fazer a guerra" contra uma Otan debilitada se o presidente americano, Donald Trump, diminuir o apoio dos Estados Unidos à Aliança Atlântica.
Em entrevista à rede NBC à margem da Conferência de Segurança de Munique, Zelensky também disse que Trump tem a influência necessária para pressionar o presidente russo, Vladimir Putin, a negociar um cessar-fogo na Ucrânia, mas alertou que nunca se deve confiar no líder russo.
"Acreditamos que Putin fará a guerra contra a Otan", disse Zelensky à NBC, em uma entrevista transmitida neste domingo (16), sugerindo que o presidente russo pode estar esperando "uma fragilização da Otan", que poderia ocorrer se "os Estados Unidos pensarem em retirar seu exército da Europa".
Uma Rússia encorajada passaria rapidamente a um modo expansionista, disse o líder ucraniano. "Não sei (se) vão querer 30% da Europa, 50%, não sei. Ninguém sabe. Mas terão esta possibilidade".
No sábado, Zelensky instou, na conferência de Munique, a criação de um exército europeu, argumentando que o continente não podia mais contar com Washington.
"Realmente acredito que chegou o momento. As Forças Armadas da Europa devem ser criadas", disse.
A possibilidade de uma força continental contínua é aventada há anos, sem sucesso, e parece pouco provável que a intervenção de Zelensky mude o panorama.
As últimas advertências de Zelenksy ocorreram depois de Washington anunciar que uma equipe de altos funcionários americanos se reuniria na Arábia Saudita com seus contrapartes de Moscou e Kiev.
Trump afirmou em seguida que provavelmente se reunirá em breve com Putin para negociar o fim do conflito na Ucrânia.
"Não confiem nele. Não confiem em Putin", alertou o presidente ucraniano.
Washington tentou assegurar que Kiev não ficará desamparada após três anos de confrontos militares com a Rússia.
Após se reunir com Zelensky em Munique, o vice-presidente americano, J.D. Vance, disse que os Estados Unidos buscam uma "paz duradoura" que não leve a um maior derramamento de sangue nos próximos anos.
Mas Washington tem dado sinais contraditórios a Kiev, e o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, parece descartar que a Ucrânia se una à Otan ou recupere todo o seu território.
burs-bs/jgc/dw/dg/val/mvv
J.Gomez--AT