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Túmulo de Navalny atrai mais de mil pessoas em Moscou no aniversário de sua morte
Mais de mil pessoas se reuniram, neste domingo (16), em frente ao túmulo de Alexei Navalny, em Moscou, apesar do risco de represálias das autoridades no primeiro aniversário da morte na prisão do principal opositor do Kremlin.
Ao menos 1.500 pessoas foram ao cemitério de Borisovskoye, na capital russa, onde Navalny foi enterrado. No começo da tarde, uma longa fila se formava no local, segundo jornalistas da AFP.
Em um breve discurso, a mãe do opositor disse que queria que os responsáveis por seu "assassinato" fossem "punidos".
"Todo mundo sabe quem ordenou. Mas queremos saber quem executou, quem permitiu que acontecesse e quem o fez", disse Lyudmila Navalnaya, usando óculos escuros e segurando o choro.
Em um dia de temperaturas congelantes, dezenas de famílias se reuniram com seus filhos no local, para onde foi mobilizado um dispositivo de segurança com policiais à paisana.
Anna, uma psicóloga infantil de 63 anos, disse, chorando, que não esperava "ver tanta gente", em um contexto no qual, segundo ela, "o medo está presente em todos os lares".
Vários diplomatas ocidentais, entre eles de Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Noruega e União Europeia também participaram da homenagem.
A morte de sua personalidade mais conhecida, as disputas internas e a agravada repressão na Rússia deixaram a oposição em uma situação de fragilidade especial, embora vários dirigentes exilados tentem reacender a chama da luta contra o presidente Vladimir Putin.
Navalny, um advogado, ativista anticorrupção e seu principal opositor nos últimos tempos, foi declarado "extremista" pela justiça russa.
Mencionar seu nome ou o de sua organização, o Fundo de Luta contra a Corrupção (FBK), sem especificar o status de "extremista" expõe os infratores a duras penas.
Esta ameaça segue vigente apesar de sua morte, em circunstâncias que não foram esclarecidas em uma prisão do Ártico, em 16 de fevereiro de 2024, e apesar de quase todo o seu entorno viver fora da Rússia.
- O "sonho" de Navalny -
Estão previstas para este domingo outras homenagens fora da Rússia.
Sua viúva, Yulia Navalnaya, que assumiu a liderança de seu movimento, participará de um evento em Berlim, onde muitos de seus apoiadores moram.
"Sabemos pelo que lutamos: uma Rússia do futuro, livre, pacífica e bela, com a qual Navalny sonhava, é possível. Façamos tudo o possível para que seu sonho vire realidade", disse Navalnaya em um vídeo divulgado por sua equipe.
O chefe de governo alemão, Olaf Scholz, foi um dos primeiros dirigentes ocidentais a prestar homenagem ao opositor, morto "porque lutou pela democracia e pela liberdade na Rússia".
"Navalny deu sua vida por uma Rússia livre e democrática", reiterou, por sua vez, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas.
Na Rússia, vários canais do Telegram favoráveis ao Kremlin alertaram os apoiadores de Navalny a não irem ao cemitério. O texto dizia que há um "Grande Irmão e seu olho que está sempre vigiando", junto com a foto de um cartaz dizendo que há câmeras de vigilância nos acessos ao local.
As autoridades russas têm desarticulado de forma metódica o movimento de Navalny e vários de seus partidários estão presos.
Quatro jornalistas são julgados atualmente na Rússia por "participação em um grupo extremista", acusados de terem feito imagens para a equipe do advogado.
Em janeiro, três dos advogados que defendiam o opositor foram condenados a penas entre 5 e 3 anos e meio de prisão por terem-lhe repassado mensagens durante sua prisão.
- Oposição enfraquecida -
A morte de Navalny, aos 47 anos, não foi totalmente esclarecida. As autoridades russas dizem que ele morreu enquanto fazia uma caminhada no pátio da prisão.
Navalny foi detido em janeiro de 2021, ao retornar para a Rússia após convalescer na Alemanha a um envenenamento do qual culpou o Kremlin, que negou envolvimento.
Em dezembro de 2023, ele foi transferido para uma colônia penal isolada para cumprir pena de 19 anos de prisão por "extremismo".
Reprimida no país, a oposição russa tenta reativar o movimento no exterior, sem muito sucesso até agora.
Yulia Navalnaya e outros dois importantes nomes da oposição organizaram, em novembro, uma marcha em Berlim contra Putin e sua ofensiva na Ucrânia, que reuniu cerca de 2.000 pessoas.
Além disso, vários escândalos dentro do movimento o fragilizaram, provocando frustração em parte de seus militantes.
R.Lee--AT