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México analisa ampliar demanda judicial contra fábricas de armas americanas
O México considera ampliar sua demanda judicial contra fábricas de armas americanas se os Estados Unidos decidirem rotular os cartéis mexicanos como organizações terroristas, declarou a presidente Claudia Sheinbaum nesta sexta-feira (14).
O governo mexicano acusa as fabricantes americanas de negligência na venda de armas que acabam nas mãos dos cartéis mexicanos, o que, segundo Sheinbaum, levaria a uma nova acusação de suposta cumplicidade com grupos terroristas.
"Se decretassem os grupos do crime organizado como terroristas, então teríamos que ampliar a demanda nos Estados Unidos, como já reconheceu o próprio Departamento de Justiça dos Estados Unidos, 74% das armas dos grupos criminosos vêm" deste país, afirmou a presidente mexicana em sua coletiva de imprensa matinal.
"Como ficam as fabricantes e as distribuidoras diante este decreto? Talvez, não sei, os advogados estejam vendo, mas podem ser cúmplices", alertou.
O governo mexicano reluta em declarar os grupos do crime organizado como organizações terroristas, por considerar que isto abriria a porta para a "interferência" americana.
Na quinta-feira, o jornal The New York Times noticiou que o Departamento de Estado dos EUA classificará os grupos criminosos de México, Colômbia, El Salvador e Venezuela como organizações terroristas, como parte de um decreto do presidente Donald Trump contra estas facções.
Em agosto, um juiz de Boston indeferiu uma ação judicial do México contra fabricantes e vendedores de armas, dos quais reivindicou US$ 10 bilhões (R$ 57,8 bilhões na cotação atual), considerando-os responsáveis pela violência associada ao crime em seu território.
O juiz alegou "falta de jurisdição", decidindo em favor de seis empresas processadas, enquanto o México afirmou que seu processo contra a Smith and Wesson e a Interstate Arms estava em andamento.
Em agosto de 2021, o México processou sete fabricantes e uma distribuidora por considerar que seu comércio "negligente e ilícito" incentiva o tráfico de drogas e a violência no país.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do México, entre 200.000 e 750.000 armas fabricadas por estas companhias são contrabandeadas dos Estados Unidos para o território mexicano anualmente, e a grande maioria é encontrada em cenas de crime no país.
O México também tem outra demanda em um tribunal do Arizona, com base em uma nova lei americana que criminaliza fraudadores que adquirem armas para terceiros.
Desde dezembro de 2006, quando foi lançada uma controversa operação militar antidrogas, o México acumula quase 480.000 mortes violentas e cerca de 110.000 pessoas desaparecidas, de acordo com dados oficiais.
P.A.Mendoza--AT