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EUA pede desconfiança dos 'regimes autoritários' durante cúpula da IA em Paris
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, alertou em uma cúpula sobre inteligência artificial, nesta terça-feira (11), que seria um erro se aliar a "regimes autoritários" para desenvolver essa tecnologia revolucionária, em uma mensagem clara à China.
Vance também alertou sobre a "regulamentação excessiva" do setor, que atrai investimentos bilionários e, ao mesmo tempo, fez outro alerta sobre a proliferação de imagens ou notícias falsas, assim como os golpes financeiros que prejudicam os usuários.
A cúpula da IA de Paris, a terceira realizada em dois anos, mostrou três abordagens diferentes para o fenômeno: os Estados Unidos a favor da "criatividade desenfreada"; a Índia como a voz do Sul global, pedindo que os países pobres não sejam esquecidos, e a Europa anunciando investimentos para não ficar para trás na corrida.
- "Acorrentar-se a um mestre" -
"Faremos tudo o que pudermos para promover políticas que fomentem o crescimento da IA", disse Vance em seu discurso a centenas de líderes, incluindo os copresidentes da reunião: o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente francês, Emmanuel Macron.
"Os Estados Unidos são líderes em IA" e o governo do presidente americano, Donald Trump, "pretende que permaneça assim", acrescentou.
Enquanto os Estados Unidos e a China competem no campo da IA, o político republicano também alertou a comunidade internacional contra acordos com "regimes autoritários".
"Associar-se a eles significa acorrentar sua nação a um mestre autoritário que busca se infiltrar, se estabelecer e assumir o controle de sua infraestrutura de informações", alertou Vance, que deu o exemplo de exportações "altamente subsidiadas", como a tecnologia 5G da China.
O vice-primeiro-ministro chinês, Zhang Guoqing, que estava presente nos debates, não falou na sessão plenária.
- Garantir o acesso do Sul -
"A IA pode ajudar a transformar milhões de vidas por meio de melhorias na saúde, educação, agricultura e muito mais", disse Modi.
Mas governar essa IA também significa "garantir acesso para todos, especialmente no Sul Global", alertou.
"Embora o potencial positivo da IA seja simplesmente extraordinário, há muitos preconceitos que não podemos ignorar", acrescentou o primeiro-ministro indiano.
O desafio é "abraçar transformações tecnológicas formidáveis (...) e fazê-lo ao mesmo tempo para o benefício de toda a humanidade", explicou o presidente francês e coanfitrião do evento, Emmanuel Macron, no Grand Palais.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a UE pretende, em parceria com o setor privado, investir cerca de 200 bilhões de euros (206 bilhões de dólares ou 1,1 trilhão de reais) no setor.
Embora o objetivo desta cúpula seja assinar uma declaração comum, as divergências entre os blocos e as próprias empresas líderes são evidentes, em meio a um frenesi de descobertas, como o recente chatbot chinês DeepSeek, e investimentos bilionários.
A oferta mais recente, segundo o Wall Street Journal, é a proposta do dono da rede social X e da Tesla, Elon Musk, para comprar a OpenAI, pioneira da IA, por 97,4 bilhões de dólares (563 bilhões de reais).
O CEO da OpenAI, Sam Altman, que abriu as portas da IA ao grande público com o ChatGPT no final de 2022 e iniciou os investimentos no setor ao lado de Musk, respondeu com ironia.
"Não, obrigado, mas se quiser, podemos comprar o Twitter (antigo nome do X) por 9,74 bilhões de dólares" (56 bilhões de reais), reagiu Altman.
A.O.Scott--AT