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Hamas adia próxima libertação de reféns e Israel se prepara para qualquer cenário
O movimento palestino Hamas anunciou, nesta segunda-feira (10), o adiamento por tempo indeterminado da próxima libertação de reféns israelenses prevista no âmbito da trégua em Gaza, provocando a ira de Israel, que ordenou ao exército se preparar para "todos os cenários".
Com a trégua em risco, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os palestinos não terão direito de voltar à Faixa de Gaza, de acordo com sua proposta para tomar o controle desse território.
Segundo o acordo que entrou em vigor em 19 de janeiro, após 15 meses de uma devastadora guerra em Gaza, a próxima libertação de reféns israelenses em troca de prisioneiros palestinos estava prevista para sábado.
Os reféns foram sequestrados em 7 de outubro de 2023 por combatentes do Hamas durante seu violento ataque no sul de Israel, que desencadeou o conflito.
"A libertação dos prisioneiros, que estava programada para o próximo sábado, 15 de fevereiro de 2025, será adiada até novo aviso, dependendo do cumprimento do que foi acordado pela ocupação e dos compromissos retroativos das últimas semanas. Reafirmamos o nosso comprometimento com os termos do acordo, desde que a ocupação os cumpra", declarou Abu Ubaida, porta-voz do braço armado do grupo islamista, as Brigadas Al Qasam, em um comunicado.
O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, reagiu denunciando uma "violação total do acordo de cessar-fogo e de libertação dos reféns" e afirmou em nota que o exército recebeu a ordem de "se preparar para todos os cenários".
- Trégua "em perigo" -
No sábado, um dirigente político do alto escalão do Hamas, Basem Naim, acusou Israel de colocar "em perigo" o cessar-fogo, assegurando que este "poderia ser interrompido e fracassar".
No mesmo dia, a quinta troca de reféns israelenses em Gaza por prisioneiros palestinos detidos em Israel ocorreu segundo os termos do acordo, alcançado sob os auspícios dos mediadores Catar, Egito e Estados Unidos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que as imagens eram "chocantes" e prometeu mais uma vez "eliminar" o Hamas e trazer de volta os reféns ainda cativos.
Em 7 de outubro de 2023, militantes islamistas mataram 1.210 pessoas em Israel, em sua maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais israelenses.
Também sequestraram 251 pessoas, das quais 73 ainda estão em Gaza, incluindo 34 que teriam morrido, de acordo com o exército.
A ofensiva lançada em resposta por Israel causou pelo menos 48.209 mortes em Gaza, também de civis em sua maioria, segundo dados do Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
- Voltar a Gaza -
Desde o início do cessar-fogo em janeiro, 16 reféns israelenses foram libertados em troca de 765 prisioneiros, em sua maioria palestinos.
Segundo o acordo, outros 17 reféns deveriam ser libertados antes do fim da primeira fase da trégua, de 42 dias.
A segunda fase deveria levar à libertação de todos os reféns e ao fim definitivo da guerra, mas as negociações previstas sobre essa etapa ainda não começaram.
Na semana passada, Trump afirmou durante a visita de Netanyahu a Washington que os Estados Unidos tomariam o "controle" de Gaza para desenvolver a economia do território devastado, propondo transferir sua população para o Egito e a Jordânia.
Um trecho de uma entrevista ao canal Fox News transmitida nesta segunda-feira mostra que o presidente teria dito que os palestinos não teriam direito a voltar a Gaza "porque vão ter moradias muito melhores".
Seu chefe da diplomacia, Marco Rubio, tem uma viagem ao Oriente Médio programada para esta semana.
M.King--AT