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Rebeldes sírios se aproximam de Damasco; governo nega retirada das tropas e fuga de Assad
A aliança de grupos rebeldes sírios afirmou neste sábado (7) que está cercando Damasco, enquanto o governo negou a retirada de suas tropas e desmentiu que o presidente Bashar al-Assad tenha abandonado a capital.
"Nossas forças começaram a fase final do cerco à capital, Damasco", afirmou o comandante rebelde Hasan Abdel Ghani, que faz parte da aliança liderada pelo grupo islamista radical Hayat Tahrir al Sham (HTS), que iniciou a ofensiva relâmpago na semana passada.
O Ministério da Defesa negou com veemência que o exército teria abandonado suas posições próximas à cidade e denunciou versões "infundadas".
A presidência negou os boatos de que Assad teria abandonado a capital.
Em um subúrbio de Damasco de maioria drusa e cristã, dezenas de manifestantes derrubaram uma estátua de Hafez al-Assad, pai e antecessor do atual presidente, informaram testemunhas à AFP.
A situação é difícil de verificar com fontes independentes e, embora alguns colaboradores da AFP estejam em áreas controladas pelos rebeldes, a agência não tem correspondentes neste momento nas imediações de Damasco, onde os insurgentes afirmam que ocupam posições.
Segundo a ONG Observatório Sirio para os Direitos Humanos (OSDH), as forças governamentais perderam nas últimas horas o controle da província de Daraa, no sul, e abandonaram posições em Quneitra, perto das Colinas de Golã anexadas por Israel.
Perto de Homs, os bombardeios executados pelas forças aéreas do governo e da Rússia mataram pelo menos sete civis neste sábado durante combates para tentar conter o avanço rebelde.
Desde a ofensiva iniciada em 27 de setembro pelo HTS e seus aliados, o governo perdeu rapidamente o controle da segunda maior cidade da Síria, Aleppo, no noroeste, e de Hama, no centro.
Também perdeu o controle da província e da cidade de Daraa, no sul, berço de uma revolta contra o governo em 2011, segundo o OSDH, uma ONG com sede no Reino Unido e que tem uma ampla rede de fontes na Síria.
Um correspondente da AFP em Daraa observou membros de grupos rebeldes locais protegendo prédios públicos.
O conflito causou pelo menos 826 mortes, incluindo mais de 100 civis, desde 27 de novembro, segundo o OSDH. A ONU registrou 370.000 pessoas deslocadas no período.
As forças de Assad, que têm apoio militar considerável da Rússia e do Irã, nunca perderam tantas cidades em tão pouco tempo desde o início, em 2011, da guerra civil, que deixou mais de 500.000 mortos.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, considerou "inaceitável" que o território sírio caia nas mãos de "terroristas".
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan, cujo país apoia facções aliadas do HTS, expressou o desejo de que a Síria encontre "a paz e a tranquilidade com que sonha há 13 anos".
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu país "não deve se envolver" no conflito.
- "Fim da tirania" -
Em seu avanço, os rebeldes tentam acalmar os temores daqueles que vivem em áreas agora sob seu controle, em um país com várias confissões religiosas.
"Pedimos que todas as confissões se sintam seguras (...) porque a era do sectarismo e da tirania acabou para sempre", afirmou o comandante rebelde Abdel Ghani em uma mensagem no Telegram.
As minorias foram perseguidas durante a guerra civil síria.
O antecessor do HTS, um grupo então chamado Frente Al Nusra, vinculado ao grupo Al Qaeda, atacou a minoria alauita, à qual pertence o clã Assad, no início do conflito em Homs.
O conflito na Síria dividiu o país em zonas de influência apoiadas por potências estrangeiras.
A Rússia, principal aliada do regime, pediu a seus cidadãos que abandonem o país, assim como os Estados Unidos e a Jordânia.
O Irã começou a retirar os militares e diplomatas da Síria, segundo o jornal New York Times.
O apoio militar russo, crucial para o regime em 2015, foi reduzido devido à guerra na Ucrânia, enquanto o Irã e o movimento islamista libanês Hezbollah, enfraquecidos pelo conflito com Israel, enviaram reforços limitados.
O.Gutierrez--AT