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Líder camponês organizador de protestos é detido na Bolívia
A polícia da Bolívia deteve, neste sábado (4), um líder camponês organizador de protestos contra o governo que recentemente desabasteceram várias cidades do país, informou o Ministério Público.
Vicente Salazar, líder da Federação Túpac Katari, foi detido no âmbito de uma investigação aberta após uma denúncia apresentada pelo governo de Rodrigo Paz contra os organizadores dos bloqueios rodoviários que provocaram escassez de medicamentos, alimentos e combustíveis.
"A investigação compreende os supostos crimes de instigação pública a delinquir, associação criminosa" e "terrorismo", entre outros, detalhou o Ministério Público em um comunicado enviado à AFP.
Salazar já tinha sido detido em junho durante os protestos, dos quais participaram centrais de operários, camponeses, diversos sindicatos e grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales (2006-2019).
Durante sete semanas, promoveram manifestações e cortes viários contra o governo de centro direita de Paz, em meio à pior crise econômica que o país vive em 40 anos.
Paz acabou com as manifestações após decretar um estado de exceção.
Seu governo avalia que os bloqueios, que em seu auge chegaram a uma centena, causaram um prejuízo de US$ 3 bilhões (R$ 15,5 bilhões, na cotação atual). La Paz, sua vizinha, El Alto, e outras cidades sofreram forte escassez de insumos básicos.
O presidente acusou o ex-presidente Morales de estar por trás das mobilizações, cujo objetivo, afirmou, era "alterar a ordem democrática".
Além da investigação impulsionada pelo governo, o dirigente Salazar enfrenta acusações de outros grupos, como uma denúncia penal apresentada ao Ministério Público na semana passada por empresários e líderes civis de direita da região agropecuária de Santa Cruz.
O comitê cívico de Santa Cruz acusa Salazar, outro líder sindical e o ex-presidente Evo Morales de "terrorismo", e pede uma ordem de captura contra os três.
Morales repudia estas acusações. Desde o fim de 2024, o ex-presidente está na região cocaleira do Chapare, centro do país, foragido da justiça. Contra ele pesa uma ordem de prisão por um caso de suposto tráfico de uma menor, que ele denuncia como perseguição.
W.Stewart--AT