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Jihadistas controlam metade da segunda maior cidade síria após ofensiva fulminante
Forças jihadistas e milícias aliadas tomaram o controle de metade de Alepo, a segunda maior cidade da Síria, após uma ofensiva relâmpago contra as forças do regime de Bashar Al Assad, apoiado pelo Irã e pela Rússia.
O diretor do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdul Rahman, afirmou na madrugada deste sábado (30, sexta em Brasília) à AFP que "metade da cidade de Alepo está agora sob o controle" do grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS) e aliados.
Esses grupos rebeldes chegaram à cidadela histórica de Alepo sem enfrentamento, devido à retirada das forças do regime sírio, disse o responsável por essa ONG com sede no Reino Unido e ampla rede de fontes na Síria.
Os jihadistas também conquistaram a cidade de Saraqib, um ponto estratégico na província noroeste de Idlib, pois isso os ajudará a "impedir que o regime avance em direção a Alepo", afirmou o OSDH.
A ofensiva encerrou anos de relativa calmaria e provocou os combates mais violentos desde 2020 no noroeste do país, com um balanço provisório de 277 mortos, de acordo com o OSDH.
Após dois dias, os rebeldes chegaram a Alepo nesta sexta-feira, onde dois testemunhos confirmaram à AFP que viram homens armados e cenas de pânico na cidade.
Segundo o OSDH e diversos testemunhos, milicianos da organização jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS) e grupos aliados, alguns próximos à Turquia, conseguiram chegar à entrada da cidade depois de "dois atentados suicidas com carros-bomba".
O Exército sírio, que segundo uma alta fonte de segurança enviou reforços a Alepo, garantiu que havia repelido "a grande ofensiva dos grupos terroristas" e recuperado várias posições.
As forças armadas russas confirmaram nesta sexta-feira o apoio ao regime de Assad com bombardeios "contra instalações e efetivos de grupos armados ilegais, contra postos de controle e contra arsenais e posições de artilharia".
O Irã, outro apoio militar do regime desde o início da guerra civil, reiterou nesta sexta-feira seu "apoio contínuo" ao governo de Assad.
- 'Medo' -
As forças do regime, que haviam perdido o controle de grande parte do país após o início da guerra civil em 2011, foram recuperando território com o apoio da aviação russa e, em 2016, reconquistaram a parte leste da região de Alepo.
"É a primeira vez em quase cinco anos que ouvimos foguetes e artilharia o tempo todo e, às vezes, aviões", contou por telefone à AFP um morador da cidade, Sarmad, de 51 anos.
"Temos medo de que o cenário da guerra se repita e que sejamos forçados a fugir", acrescentou.
Segundo um correspondente da AFP do lado rebelde, os combatentes afirmam receber ordens de uma coordenação comum de operações.
Os jihadistas e seus aliados tomaram mais de 50 localidades no norte em apenas dois dias, de acordo com o OSDH.
Segundo agência oficial síria, Sana, os rebeldes bombardearam a cidade universitária de Alepo e mataram quatro civis.
A ofensiva começou na quarta-feira, no mesmo dia em que entrou em vigor um frágil cessar-fogo no Líbano entre Israel e o grupo islamista Hezbollah, após dois meses de guerra aberta.
"É estranho ver as forças do regime sofrerem tais golpes, apesar do apoio aéreo russo... As forças do regime dependiam do Hezbollah, que atualmente está ocupado no Líbano?", questionou Rami Abdel Rahman.
- Bombardeios e êxodos -
Caças sírios e russos realizaram intensos bombardeios próximos a essa localidade, informou o OSDH.
De acordo com o Observatório, os combates também atingiram nesta sexta-feira a estratégica cidade de Saraqib, sob controle do regime, situada ao sul de Alepo, no cruzamento de duas rodovias.
O chefe do autoproclamado "governo" de Idlib, Mohamad al Bashir, justificou a ofensiva na quinta-feira afirmando que o regime de Assad "começou a bombardear áreas civis, provocando o êxodo de dezenas de milhares de civis".
De acordo com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), os confrontos provocaram o deslocamento "de mais de 14 mil pessoas, quase metade delas crianças".
O norte da Síria se manteve nos últimos anos em uma calma precária, possibilitada por um cessar-fogo estabelecido após uma ofensiva do regime em março de 2020.
A trégua foi respaldada por Rússia e Turquia, que apoia alguns grupos rebeldes sírios em sua fronteira.
O Ministério das Relações Exteriores da Turquia pediu nesta sexta-feira "o fim" dos "bombardeios" sírios sobre a cidade de Idlib e sua região.
Desde o início da guerra civil, em 2011, mais de meio milhão de pessoas morreram e milhões foram forçados a abandonar suas casas.
Ch.P.Lewis--AT