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PF investiga ataque fracassado ao STF
As autoridades investigam, nesta quinta-feira (14), as motivações do ataque com explosivos ocorrido na véspera contra o Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, que disparou alarmes poucos dias antes da reunião de cúpula do G20.
O corpo do homem que tentou entrar no STF na noite de quarta-feira com explosivos ainda estava caído no chão em frente ao prédio pela manhã, confirmou a AFP.
A polícia o identificou como Francisco Wanderley Luiz, de 59 anos, que foi candidato a vereador pelo Partido Liberal (PL) do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições municipais de 2020.
A Praça dos Três Poderes, que também abriga o Palácio do Planalto, estava parcialmente vazia nesta quinta-feira e o acesso foi restrito.
O ataque ocorreu antes de o Brasil sediar a cúpula dos líderes do G20 no Rio de Janeiro, na próxima semana, e de uma visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, a Brasília.
"A Polícia Federal está trabalhando com rigor para elucidar, com celeridade, a motivação das explosões", disse em comunicado o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
O ataque ocorreu menos de dois anos depois de um ataque contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mesmo local.
Lula já havia deixado o Palácio do Planalto quando ocorreram as explosões, por volta das 19h30, disse um porta-voz da Presidência.
O presidente ainda não se pronunciou sobre o ataque. Nesta quinta-feira, ele pretende receber vários embaixadores na sede do Executivo.
Nesta quinta-feira, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, em Baku para a Conferência do Clima da ONU (COP29), disse que as explosões são "tristes e graves".
"Triste pela perda de vida e grave por ser um atentado a uma instituição da República, a um poder da República, que deve ser apurado com extrema rapidez e extremo rigor", afirmou.
O ex-presidente Jair Bolsonaro também se manifestou nesta quinta-feira e fez um apelo ao diálogo e a uma "pacificação nacional".
As forças de segurança encontraram mais artefatos explosivos na casa onde o suspeito estava, na zona oeste da capital, disse ao canal Globonews nesta quinta-feira o porta-voz da Polícia Militar do Distrito Federal, major Raphael Van Der Broocke.
As duas explosões ocorreram em um curto intervalo. Primeiro, um veículo explodiu em um estacionamento próximo ao prédio da Câmara dos Deputados.
Depois, "o cidadão se apresentou no Supremo, onde tentou entrar no prédio, não conseguiu entrar e teve a explosão", disse a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, em entrevista coletiva.
A polícia afirmou que o carro pertencia a Wanderley Luiz.
- Explosivos com tijolos -
O sargento Rodrigo Santos explicou que vários agentes faziam ronda quando avistaram um carro em chamas, com fumaça.
"O indivíduo saiu correndo do interior do veículo. Essa pessoa foi a mesma que depois morreu", confirmou ele à imprensa local.
O carro tinha "uma espécie de bomba, vários explosivos fraccionados, amarrados com tijolos em voltas, só que não teve a ignição total, não houve a explosão", acrescentou o sargento, que disse que funcionários do Congresso saíram com extintores e ajudaram a apagar o fogo.
O STF afirmou em um comunicado que "os ministros foram retirados do prédio em segurança".
O palácio presidencial foi fechado e toda a área cercada, com uma grande mobilização de segurança na Praça dos Três Poderes.
- Investigações sensíveis -
A sede dos poderes em Brasília foi cenário de um ataque no dia 8 de janeiro de 2023, uma semana após a volta ao poder de Lula depois de derrotar Bolsonaro nas urnas.
Milhares de apoiadores de Bolsonaro, insatisfeitos com a derrota do seu líder, invadiram então os edifícios, em distúrbios que lembravam o ataque ao Capitólio por apoiadores de Donald Trump, dois anos antes.
Os atos de 8 de janeiro "foram muito relevantes, muito significativos, tristes também e obviamente mudaram todos os padrões de segurança de todos os poderes, de todos os prédios dos Três Poderes", disse o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.
Entre várias investigações sensíveis, o ministro do STF Alexandre de Moraes lidera a apuração sobre a tentativa de golpe.
Moraes também manteve a rede social X do magnata Elon Musk suspensa no Brasil este ano por 40 dias em retaliação à recusa da plataforma em cumprir ordens judiciais contra a desinformação.
"Tem malucos em todos os lugares, em todos os espectros políticos (...) Generalizar e associar é canalhice e perseguição", reagiu o assessor de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, na rede X após a divulgação do nome do autor do ataque.
D.Johnson--AT