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Rússia e Coreia do Norte assinarão 'documentos importantes' durante visita de Putin
Moscou e Pyongyang assinarão uma série de "documentos importantes" durante a visita do presidente russo, Vladimir Putin, à Coreia do Norte esta semana, incluindo um possível tratado de parceria estratégica, informaram as agências de notícias russas nesta segunda-feira (17), citando um assessor do Kremlin.
Americanos e europeus estão há meses manifestando a sua preocupação acerca da aproximação entre Rússia e Coreia do Norte, acusando Pyongyang de entregar munições à Moscou para sua ofensiva na Ucrânia, em troca de assistência tecnológica, diplomática e alimentar.
O assessor diplomático de Putin, Yuri Ushakov, declarou a viagem como um evento importante para ambos países, atualmente sujeitos a duras sanções internacionais.
Citado pelas agências estatais, o assessor citou que serão assinados vários "documentos importantes, muito significativos".
Também mencionou a "possível" assinatura de "um acordo de cooperação estratégica global", que em qualquer caso dependerá "de uma avaliação aprofundada da situação geopolítica mundial e regional e das mudanças qualitativas que ocorreram recentemente" nas relações entre Rússia e Coreia do Norte.
Putin e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, também farão "declarações à imprensa" durante a visita, acrescentou Ushakov, detalhando que o presidente russo assistirá a um concerto em sua homenagem.
O mandatário estará acompanhado do chanceler Sergei Shoigu, do ministro da Defesa, Andrei Belousov, de dois vice-primeiros-ministros e do chefe de agência espacial russa, Roscosmos.
Putin, que foi alvo de uma ordem de prisão internacional emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), reduziu suas viagens ao exterior, mas fez algumas visitas a aliados importantes, como a China.
Após viajar à Coreia do Norte, o presidente russo visitará o Vietnã nos dias 19 e 20 de junho.
- "Irmãos de armas" -
Nesta segunda-feira, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, declarou que a visita de Putin à Coreia do Norte demonstra que Moscou se tornou "dependente" de líderes autoritários.
"Isto demonstra o quão dependentes o presidente Putin, e Moscou, são agora de países autoritários em todo o mundo", disse ele à imprensa em Washington, após um discurso no Wilson Center.
A viagem do líder russo acontece nove meses após ter recebido Kim Jong Un no Extremo Oriente russo, onde os dois líderes se elogiaram mutuamente, mas não chegaram a nenhum acordo oficial.
As potências ocidentais Coreia do Sul e Ucrânia acusam Pyongyang de enviar armas a Moscou para a ofensiva na Ucrânia, em violação das sanções impostas pela ONU à Coreia do Norte.
Washington e Seul afirmam que, em troca, a Rússia forneceu ajuda a Pyongyang para o seu programa de satélites e enviou ajuda para enfrentar a escassez alimentar do país.
A Rússia e a Coreia do Norte negam que as armas de Pyongyang sejam usadas na Ucrânia.
Em março, Moscou utilizou o seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para colocar fim ao sistema de acompanhamento das sanções impostas à Coreia do Norte, instauradas sobretudo devido ao programa nuclear de Pyongyang.
Na última quarta-feira, Kim Jong Un ressaltou os laços "inabaláveis, de irmãos de armas" entre seu país e a Rússia, que remontam ao período da União Soviética.
O líder norte-coreano afirmou em setembro de 2023, durante viagem à Rússia, que os laços com Moscou são a "prioridade número um" de seu país.
Analistas alertam que os testes e a produção de mísseis de artilharia e de cruzeiro por parte da Coreia do Norte foram intensificados, e poderiam ser fornecidos à Rússia em sua ofensiva na Ucrânia.
Esta é a segunda visita de Putin à Coreia do Norte, para onde viajou pela última vez há 25 anos, para se reunir com o pai de Kim Jong Un, Kim Jong-il.
E.Hall--AT