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Primeiro-ministro indiano negocia com aliados após resultados apertados nas eleições
O partido do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, iniciou nesta quarta-feira (5) as negociações com os aliados para formar o novo governo, depois de perder a maioria parlamentar pela primeira vez em uma década.
Os líderes dos partidos tentam aproximar suas posições para reforçar as alianças, um dia depois do resultado apertado do Bharatiya Janata Party (BJP) de Modi.
O partido nacionalista conquistou 240 cadeiras na Câmara Baixa do Parlamento, muito abaixo das 303 que conseguiu nas eleições de 2019. A maioria absoluta é de 272 assentos, em um total de 543 deputados.
O principal partido de oposição, o Congresso Nacional Indiano, conseguiu 99 cadeiras, quase o dobro das 52 conquistadas nas eleições anteriores.
Modi, de 73 anos e com forte tendência nacionalista hindu, terá que administrar o terceiro mandato com mais complicações do que os analistas previam.
Os partidos Telugu Desam Party (TDP) e Janata Dal United (JDU), que conquistaram 28 cadeiras no total, anunciaram nesta quarta-feira apoio a uma aliança com a legenda do primeiro-ministro.
"Isto obrigará Modi a levar em consideração o ponto de vista dos outros, veremos mais democracia e um Parlamento mais saudável", disse Nilanajan Mukhopadhyay, autor de uma biografia do chefe de Governo.
"Ele terá que ser o líder que nunca foi, veremos um novo Modi", acrescentou o escritor.
- "Um novo Modi" -
O BJP perdeu a maioria parlamentar que tinha nos dois primeiros mandatos, mas espera formar um governo à frente de uma coalizão com outros partidos menores.
"A Índia diminui Modi", afirma a primeira página do jornal The Telegraph, do estado de Bengala Ocidental, um reduto da oposição. O jornal online Mint publicou a manchete "A coalizão Karma".
A China felicitou Modi e afirmou que está disposta a "trabalhar com a Índia para promover o desenvolvimento saudável e estável das relações entre os dois países".
Modi celebrou a vitória e afirmou que o resultado permite a continuidade de seus programas.
"O terceiro mandato será o das grandes decisões. O país escreverá um novo capítulo de seu desenvolvimento", disse o governante para uma multidão em Nova Délhi na terça-feira à noite.
- "Oposição forte" -
Nas ruas da capital indiana, os seguidores do BJP celebraram a vitória.
"Estamos muito contentes com os resultados", disse Archana Sharma, de 36 anos.
Para Govind Singh, um optometrista de 38 anos, "uma oposição forte é necessária", mas o governo deveria ter maioria parlamentar. "É essencial para todo o país".
A maioria dos analistas e das pesquisas de boca de urna apontavam uma grande vitória de Modi, acusado pelos críticos de instrumentalizar a justiça com a detenção de líderes da oposição e de atropelar os direitos das minorias religiosas.
"O país disse a Narendra Modi: 'Não queremos você'", afirmou o líder do partido de oposição Congresso Nacional Indiano, Rahul Gandhi. "Eu tinha certeza que o povo deste país daria a resposta correta".
O BJP, que agora depende dos aliados de sua coalizão, precisará obter consenso para que seus projetos sejam votados no Parlamento.
"A possibilidade de exercer influência, encorajada pelas propostas do Congresso Nacional Indiano e outros membros da oposição, será uma fonte de preocupação constante para o BJP", destaca o jornal Times of India.
Hartosh Singh Bal, analista político da revista The Caravan, Modi terá que "trabalhar com os parceiros de aliança (...) que podem abandonar a coalizão a qualquer momento".
A oposição enfrentou a máquina eleitoral do BJP, com grande financiamento, e as ações judiciais contra vários de seus líderes.
A minoria muçulmana, que tem 200 milhões de fiéis, vive com medo de possíveis mudanças na Constituição laica da Índia, ameaçada pelo programa nacionalista hindu de Modi.
S.Jackson--AT