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Milhões de europeus comparecem às urnas para renovar a liderança da UE
Eleitores de 27 países da União Europeia (UE) comparecerão às urnas entre quinta-feira e domingo para um pleito que renovará as autoridades das instituições europeias em um momento de incerteza geopolítica.
Além de renovar as 720 cadeiras do Parlamento Europeu, as eleições servem para definir os titulares das três principais instituições da UE com base no equilíbrio revelado pelas urnas.
As instituições são a Comissão Europeia (o Executivo da UE) e o Conselho Europeu (que representa os países do bloco), ambas com sede em Bruxelas, e o próprio Parlamento, que realiza as sessões na cidade francesa de Estrasburgo e tem representação na capital belga.
Alguns países começarão a votar na quinta-feira, mas a maioria das nações do bloco terá eleições no domingo.
As pesquisas apontam um fortalecimento da extrema direita, que já tem uma presença considerável no Parlamento Europeu, embora dividida em sua postura a respeito da própria UE.
A atual presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, aspira um segundo mandato de cinco anos como representante do bloco do Partido Popular Europeu (PPE, direita).
Na campanha, Von der Leyen abriu a porta para eventuais alianças pontuais com o bloco da extrema direita pró-UE, em particular com os legisladores que respondem à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
Segundo um estudo do Eurobarômetro, o serviço de pesquisas da Comissão, além dos temas de alcance nacional, os assuntos prioritários para os europeus são as perspectivas econômicas, a migração e as ações contra a mudança climática.
As projeções de intenção de voto também apontam para um crescimento do bloco de partidos de esquerda, mas longe da magnitude do avanço esperado da extrema direita.
O cenário previsto, no entanto, sugere que o PPE e o bloco S&D dos partidos social-democratas prosseguirão como os mais fortes, com alguma mudança no número de cadeiras na comparação com a atual legislatura.
Uma das grandes dúvidas das eleições é o destino do bloco centrista, já que a maioria dos partidos da aliança enfrenta dificuldades em seus países de origem, como o espanhol 'Ciudadanos'.
O trio formado por PPE, S&D e o centrista Renovar Europa foi o que permitiu acordos gerais fundamentais sobre temas como a migração ou o meio ambiente.
- Cenário difícil -
As eleições, no entanto, também devem ser analisadas na perspectiva de um cenário internacional difícil.
A guerra entre Rússia e Ucrânia tem mais de dois anos e, além disso, também é necessário acrescentar o conflito devastador entre Israel e o grupo islamista palestino Hamas na Faixa de Gaza.
A UE também passou a adotar uma postura mais firme e rígida com a China na área comercial.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos, aliado fundamental da UE, também estão em um ano eleitoral para renovar sua liderança, com o ex-presidente Donald Trump novamente em campanha para chegar à Casa Branca.
A administração Trump como presidente, entre 2017 e 2021, marcou um período de tensões com o bloco europeu, em particular nas questões comerciais.
As pesquisas mostram que a guerra na Ucrânia é uma grande preocupação dos eleitores europeus.
Mais de 75% do eleitorado apoia uma política comum de defesa e segurança e, segundo o Eurobarômetro, a maioria aprova o envio de equipamentos militares à Ucrânia e as sanções contra a Rússia.
Nesse sentido, a Hungria resiste a cumprir automaticamente a política europeia de sanções contra Moscou.
Como a Hungria assumirá a presidência rotativa do Conselho da UE no segundo semestre deste ano, o país terá enorme influência para determinar a agenda das discussões prioritárias no bloco.
Quase 370 milhões de eleitores estão registradas para votar em partidos nacionais que propõem candidatos para representar os movimentos políticos em Bruxelas.
O.Gutierrez--AT