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Chega ao fim etapa de depoimentos em julgamento de Trump, que não deu declarações
O ex-presidente americano Donald Trump decidiu não testemunhar em seu julgamento por falsificação de documentos contábeis em Nova York, que concluiu sua etapa de depoimentos nesta terça-feira (21) e se aproxima de um veredito.
Depois de cinco semanas, 19 depoimentos, centenas de documentos e até declarações de conteúdo sexual explícito, o primeiro julgamento criminal contra um ex-presidente dos Estados Unidos se aproxima do fim.
O juiz Juan Merchan anunciou que a partir da próxima semana terão início as alegações finais e a deliberação do júri.
"Na (próxima) terça-feira serão ouvidas as alegações" da defesa e da acusação, "e espero que comecem a deliberar" no dia seguinte, disse Merchan aos jurados.
Antes do início do julgamento, em 15 de abril, Trump garantiu que testemunharia para "dizer a verdade", algo que acabou não fazendo.
O júri deve decidir por unanimidade se Trump é culpado por 34 falsificações contábeis relacionadas ao pagamento de 130 mil dólares (R$ 664 mil) à ex-atriz pornô Stormy Daniels para comprar seu silêncio e evitar um possível escândalo na reta final de sua campanha para as eleições presidenciais de 2016.
A atriz, cujo nome de registro é Stephanie Clifford, afirma ter tido uma relação sexual com Trump em 2006, quando ele já era casado com sua atual esposa, Melania. O magnata nega.
- Por unanimidade -
Embora o julgamento não seja transmitido ao vivo pela televisão devido à lei nova-iorquina, o iminente veredito representa um momento delicado para Trump, que deseja voltar à Casa Branca nas eleições de novembro, nas quais enfrentará o democrata Joe Biden mais uma vez.
Para que o candidato republicano seja declarado culpado é necessária uma decisão unânime dos jurados.
"Todo mundo diz que não há crime (…) Todos os especialistas dizem que não há crime e que não fiz nada de errado", disse Trump, ao chegar ao tribunal nesta terça-feira.
Mesmo se for condenado, o republicano, que tem 77 anos, ainda poderá concorrer à Presidência.
Os interrogatórios terminaram com uma testemunha da defesa, o advogado Robert Costello, um veterano dos tribunais que no dia anterior questionou a versão do principal acusador, o ex-advogado pessoal e homem de confiança de Trump, Michael Cohen.
Essa última testemunha, que havia começado a depor já na segunda-feira, deixou o normalmente imperturbável juiz Merchan fora de si.
Falando de maneira familiar e teatral, sem esconder seu desespero com as intervenções do magistrado, Costello foi advertido e chamado à ordem.
- Testemunha importante e conteúdo sexual explícito -
Ao longo do processo, os advogados de Trump buscaram desacreditar o ex-advogado Cohen, retratando-o como um ex-funcionário que busca vingança.
Cohen incriminou diretamente seu antigo chefe, afirmando que ele se ocupou do pagamento a Daniels e Trump aprovou seu reembolso.
Para a acusação, a questão central é que ocultou essa transferência como "gastos legais" nas contas da Trump Organization.
A defesa do ex-presidente, por sua vez, enfatizou o histórico de enganos do ex-advogado, que foi condenado a três anos de prisão em 2018 por mentir ao Congresso e fraude eleitoral e fiscal neste caso.
O julgamento intercalou momentos mais técnicos e outros mais efervescentes, sobretudo com o depoimento da ex-atriz pornô Daniels, que contou com riqueza de detalhes o suposto encontro sexual com o ex-mandatário, revelando a roupa íntima que ele estava usando, a posição sexual e que não usou preservativo.
Trump acabou não prestando depoimento, como previram muitos especialistas, provavelmente para evitar se expor a um interrogatório impiedoso de parte da Promotoria.
O ex-presidente afirma que o processo tem viés político e reclamou diversas vezes que a obrigatoriedade de comparecer às audiências no tribunal de Nova York o impede de fazer campanha.
Não me "permitem fazer nada de política porque estive sentado em uma sala fria e escura (no tribunal) nas últimas quatro semanas. É muito injusto", afirmou a jornalistas na segunda-feira.
G.P.Martin--AT