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Israel luta contra o Hamas no norte de Gaza, que começa a receber ajuda por cais temporário
O Exército israelense e o Hamas travaram, nesta sexta-feira (17), intensos combates no norte da Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que um primeiro carregamento de ajuda humanitária chegou ao território através de um cais provisório instalado pelos Estados Unidos.
No oitavo mês de guerra contra o movimento islamista palestino, as forças de Israel indicaram à AFP que estavam realizando em Jabaliya "talvez os combates mais ferozes" nesta área do norte do território desde que iniciaram sua ofensiva terrestre.
O campo de refugiados da cidade também foi alvo de bombardeios aéreos e disparos de artilharia israelenses, segundo testemunhas. A Defesa Civil palestina indicou que seis pessoas morreram.
O Exército israelense também afirmou ter concluído sua operação no distrito de Zeitun da Cidade de Gaza (norte), após uma semana de "incursões precisas" nas quais mataram "mais de 90 terroristas".
Depois de dias de bloqueio à entrada de ajuda humanitária em Gaza, onde a ONU alerta para o risco de fome, os Estados Unidos anunciaram que começaram a descarregar um primeiro frete com mantimentos através de um cais temporário instalado na costa do território palestino.
Espera-se que cerca de 500 toneladas de ajuda cheguem ao território palestino nos próximos dias.
- Apelo de 13 países -
No extremo sul do território palestino, em Rafah, as brigadas Ezzedine al Qassam, o braço armado do Hamas, anunciaram ataques contra as unidades israelenses "mobilizadas no posto de fronteira" com o Egito.
A costa desta cidade, onde centenas de milhares de pessoas deslocadas pelo conflito estão aglomeradas, está sob ataques da Marinha israelense, afirmaram testemunhas. Segundo o hospital kuwaitiano da cidade, os bombardeios noturnos causaram feridos.
O Ministério da Defesa israelense anunciou que "entrarão mais tropas" em Rafah e que "a atividade [militar] se intensificará", apesar dos apelos internacionais contra uma invasão dessa cidade.
Treze países, incluindo Reino Unido, Alemanha, França, Canadá e Japão, pediram a Israel que não inicie uma ofensiva em larga escala em Rafah, estimando que "teria consequências catastróficas para a população civil".
"Apelamos ao governo de Israel a permitir a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza através de todos os pontos de fronteira pertinentes, incluindo Rafah", afirma a nota com o pedido.
A passagem fronteiriça de Rafah, crucial para a entrada de mantimentos em Gaza, permanece fechada desde o início da operação israelense na localidade, em 7 de maio.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira que, desde então, não recebeu nenhum mantimento médico no território palestino.
"Conseguimos distribuir alguns mantimentos, mas ainda faltam muitos, especialmente o combustível necessário para o funcionamento dos hospitais", declarou um porta-voz em Genebra, Tarik Jasarevic.
- Gente 'aterrorizada' -
A guerra começou em 7 de outubro, com o ataque executado pelo Hamas no sul de Israel, que matou mais de 1.170 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em números oficiais israelenses.
Mais de 250 pessoas foram sequestradas e 125 permanecem em cativeiro em Gaza, das quais o Exército acredita que 37 morreram.
As forças israelenses anunciaram nesta sexta que repatriaram de Gaza os corpos de três reféns que, afirmam, foram "assassinados" por seus sequestradores.
A vasta ofensiva de represália de Israel na Faixa de Gaza matou mais de 35.303 pessoas, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde deste território palestino governado pelo Hamas desde 2007.
No segundo dia de audiências na Corte Internacional de Justiça, principal tribunal da ONU com sede em Haia, nos Países Baixos, Israel respondeu às acusações da África do Sul de que as tropas israelenses intensificaram uma campanha de "genocídio" em Rafah, alegando que essas afirmações estão "totalmente desconectadas" da realidade.
Desde que o Exército ordenou aos civis que abandonassem a zona leste de Rafah, em 6 de maio, "600 mil pessoas fugiram" da cidade, segundo a ONU.
Civis palestinos continuam fugindo dessa área e de outros bairros de Rafah, onde, até agora, cerca de 1,4 milhão de gazenses buscavam refúgio após serem deslocados desde outras partes do território, no qual vivem um total de 2,4 milhões de pessoas.
"As pessoas estão aterrorizadas e tentam fugir" para o norte e o litoral, "o que é muito difícil porque não há nenhuma rota segura para sair de Rafah e, certamente, não há nenhum destino seguro em Gaza", declarou o porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jens Laerke.
Th.Gonzalez--AT