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Premiê eslovaco já 'é capaz de falar', mas segue em estado grave após ser baleado
O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, baleado na quarta-feira, "já consegue falar", embora seu estado continue muito crítico, afirmou o presidente eleito Peter Pellegrini nesta quinta-feira (16), enquanto a policia acusou o suspeito pelo atentado.
“Ele consegue falar, mas apenas algumas frases”, disse Pellegrini aos repórteres do lado de fora do hospital em Banska Bystrica, no centro do país, onde Fico está em tratamento.
"Ele está muito, muito cansado. A situação continua muito crítica", explicou, acrescentando que "horas e dias muito difíceis esperam pelo primeiro-ministro".
Robert Fico foi alvo de vários disparos na quarta-feira à tarde, depois de uma reunião em seu gabinete em Handlova, no centro da Eslováquia.
O suposto agressor, que os meios de comunicação eslovacos identificaram como um escritor de 71 anos chamado Juraj Cintula, foi acusado de "tentativa de homicídio premeditado", anunciou o ministro do Interior, Matus Sutaj Estok, que disse que o ataque teve "motivações políticas".
"Trata-se de um lobo solitário" que decidiu agir porque estava "insatisfeito" com "os resultados das eleições presidenciais" realizadas em abril, que deram a vitória a Pellegrini, aliado de longa data de Fico.
Em meio às tensões na classe política, o presidente eleito apelou aos partidos para "suspenderem temporariamente" a campanha para as eleições europeias, marcadas para 8 de junho.
"Neste momento, a Eslováquia não precisa de mais confrontos", disse Pellegrini, que tomará posse em junho neste país da Europa Central, dividido entre apoiadores de um governo pró-Kremlin e defensores da oposição a favor do Ocidente.
- "Radicalização" -
Nesta quinta-feira, Fico se encontrava em estado "verdadeiramente muito grave" devido a "ferimentos múltiplos", pelo que precisará permanecer sob cuidados intensivos, disse a diretora do hospital Roosvelt, em Banska Bytrica.
O ex-chefe de polícia Stefan Hamran criticou os seguranças do primeiro-ministro e afirmou à AFP que eles "reagiram tarde" e "mal".
"Ao invés de se lançarem contra o agressor (...) foram para a direção contrária e tentaram se esquivar dos disparos", declarou.
Um dos vizinhos do suspeito, Ludovit Mile, afirmou que Cintula, a quem conhece desde 1983, era "amigável e prestativo". "Ele deve ter enlouquecido", disse à AFP.
O atentado causou grande comoção no país e uma onda de condenações internacionais. Em frente ao hospital, vários cidadãos manifestaram sua consternação.
"Jogue tomates ou ovos se quiser, mas não pegue uma arma!", disse Karol Reichl, um ex-motorista de 69 anos. Alguns especialistas apontaram que o incidente poderia acentuar a "radicalização" da classe política.
"Temo que este ataque não seja o último e que, em um futuro próximo, seja a vez de os membros da oposição serem atacados”, disse à AFP o cientista político Miroslav Radek.
"É um ponto de inflexão que vai sacudir a sociedade", comentou o analista Milan Nic.
- Deterioração dos laços com a Ucrânia -
Além de seu atual mandato como primeiro-ministro, Fico também esteve à frente do governo nos períodos entre 2006-2010 e 2012-2018.
Desde a sua última eleição, em outubro, o dirigente fez uma série de comentários que deterioraram os laços entre Eslováquia e Ucrânia, ao defender uma negociação com a Rússia pelo fim da guerra.
Quando foi eleito, a Eslováquia deixou de enviar armas para a Ucrânia, que enfrenta uma invasão russa desde 2022. Durante a campanha eleitoral, prometeu que não enviaria a Kiev "nem uma única bala".
Fico também provocou protestos multitudinários devido às suas mudanças polêmicas, entre elas a de uma lei de meios de comunicação que, segundo os críticos, vai afetar a imparcialidade do rádio e da televisão públicas.
A Eslováquia já foi sacudida por outros ataques violentos relacionados à política. Em 1995, o filho do chefe do Estado da época, Michal Kovac, foi sequestrado e posteriormente encontrado na vizinha Áustria.
Durante anos, suspeitava-se que o então primeiro-ministro, Vladimir Meciar – principal rival de Kovac – poderia estar envolvido no crime.
Em outro caso, um de seus ex-ministros, Jan Ducky, foi assassinado na frente da própria casa, em Bratislava, no ano de 1999.
burs-mmp/meb-jvb-hgs/mb/jb/dd/jb/mvv
F.Ramirez--AT