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Países da UE buscam a difícil unificação de seus mercados financeiros
Os líderes da União Europeia (UE) promoveram nesta quinta-feira (18) a complicada tarefa de integrar os mercados financeiros do bloco, na tentativa de recuperar o terreno perdido para os Estados Unidos e a China, seus principais concorrentes.
No segundo dia de uma cúpula em Bruxelas, os governantes discutiram um relatório sobre a situação em assuntos estratégicos e as alternativas para unificar seus mercados financeiros.
Nos dois dias de reuniões, a discussão parecia a menos difícil para os 27 líderes, no entanto, eles enfrentaram uma demorada negociação sobre os critérios para a unificação dos mercados.
O consenso é que o bloco europeu está perdendo posições na disputa mundial pela inovação, o que inclui o mercado de baterias para automóveis elétricos ou a inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, a indústria perde mercados, afetada pelo aumento nos preços da energia desde o início da invasão da Rússia à Ucrânia.
A economia da UE está há mais de um ano e meio em um cenário de estagnação: o crescimento do bloco atingiu o ponto máximo em 2023 com 0,4%, muito abaixo dos 2,5% nos Estados Unidos e dos 5,2% da China.
O maior desafio, no entanto, será implementar a transição digital e para as energias limpas, que a UE considera prioritárias, mas que exigirão investimentos adicionais monumentais, de centenas de bilhões de euros.
"Houve um debate muito longo porque as posições iniciais [de cada país] são diferentes" com relação à integração dos mercados de capitais, disse ao fim da cúpula o presidente da França, Emmanuel Macron.
Por sua vez, o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, declarou: "Teríamos sido muito mais ambiciosos nas conclusões [do texto final que reflete o consenso alcançado na cúpula] que, no final, concordamos".
O documento destaca que "é necessário um novo acordo europeu sobre competitividade, ancorado em um Mercado Único plenamente integrado".
Isso exigirá esforços para "fechar as lacunas de crescimento, produtividade e inovação entre a União [Europeia] e seus parceiros internacionais e principais concorrentes".
A base das discussões foi um relatório detalhado elaborado pelo ex-primeiro-ministro italiano Enrico Letta.
O documento de 147 páginas destaca que a chave das dificuldades é a ausência de um mercado único realmente integrado, devido às diferentes regulamentações nacionais.
O relatório salienta que, embora a maioria dos países da UE tenha uma moeda única, as novas empresas não conseguem ganhar dinheiro como os seus concorrentes nos Estados Unidos.
Além disso, os centros financeiros americanos mais rentáveis acabam por atrair as poupanças dos europeus.
"Mais de 300 bilhões de euros saem da Europa todos os anos para os Estados Unidos, porque o mercado europeu é fragmentado e não é suficientemente atraente", disse Letta.
Perante esta situação, "a principal proposta é trabalhar na construção de uma União de Poupança e Investimento", expressou Letta nesta quinta-feira na apresentação do seu relatório aos líderes europeus.
A cúpula desta quinta-feira deve contribuir para romper a estagnação das discussões sobre esse tema, travadas durante 10 anos nos debates técnicos entre os ministros das Finanças.
Neste contexto, uma das soluções mencionadas é mobilizar adequadamente os recursos da poupança privada para a economia real.
H.Gonzales--AT