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Israel prossegue com bombardeios em Gaza
Israel bombardeou novamente a Faixa de Gaza nesta quinta-feira (18), em sua guerra contra o movimento islamista palestino Hamas, em meio aos temores de que uma possível resposta israelense ao ataque recente do Irã aprofunde o conflito na região.
A União Europeia (UE), que pediu "máxima moderação" a todas as partes, adotou novas sanções contra o Irã, aliado de Hamas, na quarta-feira.
As sanções visam em particular os fabricantes de drones e mísseis, principais armas do ataque iraniano de sábado.
Testemunhas relataram novos bombardeios israelenses durante a noite em Gaza, onde 33.970 pessoas morreram desde o início da ofensiva israelense há mais de seis meses, segundo o Ministério da Saúde do território palestino, governado pelo Hamas.
As bombas caíram em Khan Yunis e Rafah, no sul da Faixa, segundo a Defesa Civil do território.
O conflito começou em 7 de outubro, com um ataque de milicianos islamistas, que assassinaram 1.170 pessoas no sul de Israel e sequestraram quase 250, segundo um balanço da AFP baseado em dados divulgados pelas autoridades israelenses. Entre os mortos estavam mais de 300 militares.
Após uma troca de reféns por presos palestinos durante a trégua de uma semana no fim de novembro, 129 pessoas continuam em cativeiro em Gaza, incluindo 34 que teriam sido mortas, segundo as autoridades israelenses.
- "Cadáveres por todos os lados" -
A Defesa Civil de Gaza anunciou que encontrou, após um bombardeio em Rafah, oito corpos, todos da mesma família, incluindo cinco crianças e duas mulheres.
Um fotógrafo da AFP observou um grupo de pessoas reunidas ao redor de uma enorme cratera no solo.
"Acordei com as meninas que gritavam 'mamãe, mamãe' (...) corri e vi crianças fugindo (...) havia cadáveres espalhados por todos os lados", disse à AFP o palestino Jamalat Ramidan após um ataque em Rafah, que virou um refúgio para mais de um milhão de palestinos que fugiram da destruição em outras áreas do território.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou o plano de iniciar uma ofensiva terrestre contra a cidade, que ele descreve como o último grande reduto do Hamas.
- "Haverá uma resposta" -
O Exército israelense afirmou que atacou nas últimas horas dezenas de "alvos" em Gaza, incluindo "terroristas, postos de observação e estruturas militares".
A guerra na Faixa de Gaza aumentou as tensões na região, com Israel e seus aliados, como os Estados Unidos, de um lado, e o Hamas e seus apoiadores, como Irã e o grupo Hezbollah, do outro.
Israel insiste na determinação de responder ao ataque do Irã de sábado, apesar de quase todos os 350 drones e mísseis lançados pela República Islâmica terem sido interceptados, com a ajuda de vários países.
Teerã afirmou que executou o ataque em represália ao bombardeio de seu consulado em Damasco, ação que atribui a Israel e que provocou a morte de sete membros da Guarda Revolucionária.
A emissora pública israelense Kan informou que Netanyahu desistiu dos bombardeios de retaliação depois de discutir a questão com o presidente americano, Joe Biden, que tenta evitar um confronto direto entre Israel e Irã.
"Haverá uma resposta, mas será diferente do que foi previsto inicialmente", declarou uma fonte de alto escalão do governo que pediu anonimato.
- Negociações "estagnadas" -
O governo dos Estados Unidos, aliado incondicional de Israel, deixou claro que não participaria de uma resposta israelense ao ataque iraniano.
A Casa Branca informou que anunciará novas sanções contra Teerã nos próximos dias, em particular contra os programas de drones e mísseis e contra a Guarda Revolucionária.
As negociações para alcançar uma nova trégua em Gaza, que permita a libertação dos reféns israelenses sob poder do Hamas em troca de palestinos presos em Israel, estão "estagnadas", segundo o Catar, que desempenha o papel mediador ao lado dos Estados Unidos e do Egito.
"Estamos fazendo uma reavaliação global do nosso papel como país mediador", declarou o chefe de Governo e chanceler do Catar, Mohamed bin Abdulrahman Al Thani.
A ONU, que teme uma fome generalizada em Gaza, fez um apelo por doações de 2,8 bilhões de dólares (14,6 bilhões de reais).
Netanyahu rejeita "as acusações de organizações internacionais sobre a fome em Gaza" e afirma que Israel está fazendo "todo o possível na questão humanitária".
O conflito provocou a retomada com força do debate sobre a necessidade de criação de um Estado Palestino.
O Conselho de Segurança da ONU votará nesta quinta-feira ou na sexta-feira o pedido dos palestinos para virar um Estado membro de pleno direito das Nações Unidas.
A iniciativa provavelmente esbarrará no poder de veto dos Estados Unidos, que considera que a ONU não é o local ideal para o reconhecimento, e sim um acordo com Israel.
A.Williams--AT