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Presidentes latinos debatem ataque do Equador à embaixada mexicana
Os presidentes latinos debateram na terça-feira (16) o ataque do Equador à embaixada do México em Quito, em uma reunião de cúpula virtual convocada por Honduras, na qual a Venezuela anunciou o fechamento de suas sedes diplomáticas em território equatoriano e que terminou sem o anúncio de uma resolução.
Como presidente "pro tempore" da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), a chefe de Estado hondurenha, Xiomara Castro, liderou a sessão que foi transmitida pela internet, depois de convocar a reunião na semana passada, após a operação policial de 5 de abril na representação mexicana para prender o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas
Castro iniciou o encontro com a leitura de uma proposta, aprovada pelos chanceleres nos últimos dias, de "firme condenação" ao ataque e para definir sanções contra o Equador, além de solicitar um salvo-conduto para que Glas, que havia recebido o direito de asilo, possa viajar para o México.
Porém, cinco países – Argentina, Costa Rica, Paraguai, Peru e Uruguai – expressaram descontentamento com a convocação em um comunicado conjunto, no qual argumentam que as decisões do bloco de 33 nações "devem ser adotadas por consenso".
Uma fonte da diplomacia hondurenha informou à AFP que a reunião foi concluída, sem a divulgação de uma resolução com suas conclusões até 21h00 locais (0h00 de Brasília).
Assim como outros governantes, Castro descreveu o ataque policial à sede diplomática mexicana como "barbárie".
Após mais de uma hora de discussões, a presidente hondurenha suspendeu a reunião. "Concluímos com as participações (...), a conclusão é muito clara sobre a condenação dos atos violentos ocorridos no Equador e sobre o pedido de salvo-conduto para Jorge Glas. Damos cinco minutos para continuar com a sessão", disse.
A reunião, no entanto, não foi retomada publicamente.
Durante os discursos, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, defendeu que o ocorrido não se repita e propôs que seu país seja acompanhado "assinando a denúncia no Tribunal de Justiça Internacional".
O presidente do Equador, Daniel Noboa, foi representado pela chanceler do país, Gabriela Sommerfeld.
Diante das divisões em torno da aprovação de sanções e de uma condenação unânime, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, manifestou-se a favor de que não seja necessário um consenso para se tomar decisões no bloco.
O colombiano ressaltou que a invasão à embaixada gerou "um mal-estar, inclusive global", no qual os governos devem prestar atenção. “A barbárie pode penetrar no nosso pedaço de continente”, alertou.
- Venezuela fecha sedes diplomáticas -
A operação em Quito para prender Glas levou López Obrador a romper imediatamente os laços diplomáticos com o Equador, o que a Nicarágua fez um dia depois.
Durante a reunião, o presidente Nicolás Maduro ordenou o fechamento da embaixada venezuelana no Equador e dos consulados em Quito e Guayaquil. Maduro expressou “solidariedade absoluta” a López Obrador: “O México não está sozinho, tem a voz da nossa América o acompanhando em circunstâncias que vocês não procuraram."
“Não há dúvida” de que a decisão do presidente Noboa “de invadir o território do México, sua embaixada, de agredir seu pessoal diplomático diante do olhar do mundo, ao vivo pelas redes sociais, de capturar, amarrar e torturar o ex-vice-presidente Jorge Glas foi um ato de barbárie", acrescentou Maduro.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, expressou que “a invasão violenta” à embaixada do México “é um ato hostil inaceitável, que merece a mais categórica rejeição”.
- Preocupação com saúde de Glas -
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs a criação de uma comissão para analisar o estado de saúde de Glas, que desde sua detenção sofreu problemas que exigiram atendimento médico.
O governante do Equador declarou-se na semana passada disposto a “resolver qualquer divergência” com o México, mas ressaltou que "a justiça não se negocia".
Glas se refugiou na embaixada do México em dezembro, antes de a Justiça ditar uma ordem de prisão contra ele por acusações de corrupção durante sua gestão como braço direito do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017).
O.Brown--AT