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Israel mantém bombardeios em Gaza, enquanto premiê faz cirurgia neste domingo
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, será submetido a uma cirurgia de hérnia neste domingo (31), quase seis meses depois do início de uma guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza, devastada pelos constantes bombardeios de Israel, que atingiram um hospital, segundo a ONU.
Na noite deste domingo, milhares de israelenses se manifestaram em Jerusalém para pedir a renúncia de Netanyahu e a libertação dos reféns israelenses cativos em Gaza, enquanto as negociações para um acordo parecem estagnadas.
O ministro da Justiça, Yariv Levin, que também ocupa o cargo de vice-primeiro-ministro, assumirá as funções de Netanyahu durante a cirurgia, que requer anestesia geral, informou o governo israelense.
O dirigente israelense, de 74 anos, enfrenta crescentes pressões internas por seu fracasso em conseguir a libertação dos reféns que continuam retidos em Gaza, após terem sido sequestrados pelo Hamas no ataque de 7 de outubro.
Um cessar-fogo deveria permitir a libertação dos reféns e a entrada de ajuda humanitária no território, onde as organizações internacionais alertam para o risco de fome que assombra 2,4 milhões de habitantes de Gaza.
As negociações entre o Hamas e Israel, impulsionadas por Catar, Egito e Estados Unidos, deveriam ter sido retomadas no domingo no Cairo, segundo a emissora egípcia Al Qahera.
Um alto dirigente do Hamas questionou, neste domingo, a possibilidade de se obter avanços nas conversações devido às grandes diferenças entre os dois lados.
"Duvido que haja avanços nestas negociações porque as posições estão muito distantes", afirmou à AFP, sob a condição do anonimato.
O Hamas ainda não decidiu se vai enviar uma delegação às negociações, assegurou o alto dirigente do movimento islamista, que governa Gaza desde 2007.
Nentanyahu acusou o Hamas de ter "endurecido suas posições".
- Dirigente palestino morre em Gaza -
Enquanto isso, no terreno, os bombardeios prosseguem.
Ao menos 77 palestinos morreram na madrugada deste domingo em Gaza, informou o Ministério da Saúde.
Os combates se concentram ao redor dos hospitais, a maioria fora de serviço, e onde, segundo o exército israelense, combatentes islamistas se escondem.
As forças israelenses anunciaram ter matado vários combatentes, inclusive um dirigente do movimento palestino, em uma "operação" no complexo hospitalar Al Shifa, na Cidade de Gaza, o maior do território.
Segundo o Hamas, também há tropas israelenses no complexo hospitalar Nasser, na cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) denunciou que um bombardeio israelense no hospital de Al Aqsa, no centro de Gaza, deixou quatro mortos e 17 feridos.
A ofensiva israelense lançada em Gaza em retaliação ao ataque do Hamas ao seu território, em 7 de outubro, já deixou 32.782 mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
O ataque do Hamas em Israel deixou ao menos 1.160 mortos, a maioria civis, segundo um balanço da AFP com base em dados israelenses.
Além disso, mais de 250 pessoas foram sequestradas e 130 delas continuam mantidas reféns em Gaza, incluindo 34 que teriam morrido, segundo autoridades israelenses.
Israel, que prometeu "aniquilar" o Hamas, lançou desde então uma operação militar em Gaza, onde a guerra obrigou a maioria da população a se deslocar, segundo a ONU.
- Negociações -
Além da ofensiva, Israel impôs um "cerco total" a este território palestino, que impede a entrada de comida, água, medicamentos e combustível.
No sábado, uma flotilha partiu do Chipre com destino a Gaza levando 400 toneladas de ajuda humanitária através de um corredor marítimo aberto em meados de março. Mas a ONU insiste na necessidade de abrir novas passagens terrestres.
Uma primeira trégua no fim de novembro permitiu a entrada de vários comboios de ajuda humanitária pela passagem de Rafah, na fronteira com o Egito. Mas os insumos entram a conta-gotas.
O cessar-fogo também permitiu a libertação de uma centena de reféns em troca de prisioneiros palestinos detidos em Israel.
Neste sentido, o papa Francisco reiterou, neste domingo, em sua mensagem de Páscoa, seu apelo à libertação dos reféns e a um cessar-fogo imediato em Gaza, denunciando que "a guerra é sempre um absurdo e uma derrota".
Em Gaza, uma centena de fiéis rezou no sábado à luz de velas ou de celulares devido à falta de eletricidade, antes de se reunir, neste domingo, para celebrar a ressurreição de Cristo.
H.Gonzales--AT