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Filósofa é aposta de opositora inabilitada para enfrentar Maduro nas urnas
A filósofa e professora universitária Corina Yoris foi designada nesta sexta-feira (22) pela líder opositora María Corina Machado candidata a enfrentar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, nas eleições de 28 de julho.
A oposição tem até o próximo dia 25 para inscrever quem irá substituir María Corina Machado, favorita nas pesquisas, mas inabilitada para exercer cargos públicos por 15 anos, o que ela chama de medida ilegal.
"É uma pessoa da minha total confiança, honrada, que vai cumprir esse trâmite com o apoio e a confiança de todos", disse a líder liberal em entrevista coletiva, ao anunciar o nome de Corina Yoris, que integrou a comissão que organizou as primárias opositoras realizadas em 22 de outubro de 2023, nas quais María Corina Machado venceu com folga.
"Sinto-me não apenas orgulhosa, mas comprometida com o povo e com María Corina. Este ato de confiança, depositar em mim este desafio, parece-me de uma bondade e de um desprendimento único", disse a filósofa.
Especialistas avaliam que María Corina Machado, com 70% de aceitação em algumas pesquisas, tem alto poder de transferência, que poderia impulsionar a candidatura de quem a substituir. Ela ressaltou que continuará liderando a campanha.
- 'O povo está conosco' -
María Corina reforçou que continuará lutando para reverter sua inabilitação e entrar na disputa, ocupando o lugar de Corina Yoris, o que é pouco provável.
A suprema corte, de linha governista, ratificou a sanção e autoridades prenderam nos últimos dias sete colaboradores de María Corina. Ela e sua equipe foram vinculadas a "ações desestabilizadoras", embora o Ministério Público não tenha apresentado acusações contra a opositora liberal, 56.
"O regime sabe que está perdido, que o povo está conosco", afirmou María Corina. "Todos nós sabemos que somos uma imensa maioria que cresce todos os dias e que está disposta a fazer tudo o que for preciso pela Venezuela, pelos nossos filhos, pela nossa liberdade."
- Inscrição -
María Corina ressaltou que o nome de Corina Yoris está limpo no Conselho Nacional Eleitoral (CNE), acusado de servir ao chavismo. Como ela não exerceu cargos públicos, teoricamente não deve ser inabilitada politicamente.
As candidaturas são feitas em um sistema automatizado do CNE, ao qual a oposição denuncia que não teve acesso. Caso o Conselho rejeite a candidata, outro nome não pode ser apresentado.
A oposição conta com apenas duas representações partidárias autorizadas: a MUD, antiga aliança substituída pela atual Plataforma Unitária (PUD), e Um Novo Tempo (UNT), de Manuel Rosales, que enfrentou Hugo Chávez nas presidenciais de 2006, esteve exilado no Peru e agora é governador do estado petroleiro de Zulia (oeste). Isso se traduz em apenas duas candidaturas.
Algumas organizações da aliança que apoia Maduro já se dirigiram ao CNE para apresentar seu nome, mas o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), presidido por Maduro, ainda não formalizou a sua candidatura.
Políticos que se denominam antichavistas, mas que a oposição considera que colaboram com o chavismo, foram os primeiros a se inscrever.
N.Walker--AT