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Putin é reeleito para 5º mandato na Rússia, segundo resultados preliminares
Vladimir Putin venceu as eleições presidenciais russas com 87% dos votos, segundo resultados preliminares divulgados neste domingo (17), em meio a uma oposição dizimada pela repressão.
Esse número, obtido a partir de uma pesquisa do instituto oficial Vtsiom, foi anunciado pela televisão estatal.
E de acordo com a comissão eleitoral russa, o chefe do Kremlin obteve 87,97% dos votos após a apuração de 24% das seções eleitorais.
Isso representa um recorde para Putin, que nas eleições anteriores havia obtido entre 64% e 68% dos votos.
A ofensiva na Ucrânia, iniciada por Putin em fevereiro de 2022 e sem fim à vista apesar das dezenas de milhares de mortos, foi o pano de fundo da votação, especialmente com um aumento dos ataques contra o território russo nesta semana.
O Kremlin apresentou as eleições como uma oportunidade para os russos expressarem seu apoio à ofensiva na Ucrânia.
Após a divulgação dos primeiros resultados, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que Putin está "embriagado pele poder" e quer "reinar eternamente".
A Polônia considerou que a eleição presidencial russa "não é legal, livre nem justa".
Os outros três candidatos na disputa tinham a mesma linha do Kremlin, seja sobre a Ucrânia ou a repressão, que culminou na morte de Alexei Navalny, o principal opositor de Putin, em uma prisão no Ártico em fevereiro.
Os apoiadores de Navalny instaram os eleitores a comparecerem coordenadamente ao meio-dia nas seções eleitorais.
Alguns responderam ao chamado em Moscou e afirmaram à AFP que compareceram para homenagear a memória de Navalny e mostrar sua oposição da única forma legal possível.
- "Escrevi Navalny" -
A viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, que votou na embaixada russa em Berlim, disse ter escrito o nome de seu falecido marido em sua cédula de votação.
"É claro que escrevi 'Navalny' porque não pode ser que um mês antes das eleições, o principal opositor a Putin, que já estava na prisão, tenha sido assassinado", declarou Navalnaya à imprensa.
Em todo o mundo, também houve filas nas embaixadas russas, com multidões especialmente numerosas em Paris e Berlim, onde dezenas de milhares de russos vivem exilados.
Leonid Volkov, um colaborador próximo de Navalny, agradeceu aos que mostraram sua oposição. "O mundo os viu. A Rússia não é Putin, a Rússia são vocês", escreveu no X (antigo Twitter).
No entanto, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, apresentou as longas filas nas embaixadas como uma prova de apoio ao Kremlin.
"Se as pessoas que estavam na fila (...) tivessem participado da ação do 'meio-dia', teriam se dispersado depois do meio-dia. Mas não", escreveu nas redes sociais.
Na Rússia, alguns eleitores demonstraram seu apoio a Putin.
"O que queremos hoje, antes de tudo, é paz", explicou Liubov Piankova, uma aposentada de 80 anos que foi votar em São Petersburgo, cidade natal de Putin.
- Dissidência punida -
No geral, as ações da oposição ocorreram tranquilamente, mas a ONG especializada OVD-Info informou pelo menos 74 detenções por diversas formas de protesto eleitoral.
A dissidência pública tem sido duramente punida na Rússia desde o início da ofensiva contra a Ucrânia, e as autoridades alertaram contra os protestos eleitorais.
Enquanto isso, a Ucrânia prosseguiu com seus bombardeios e atacou ao menos oito regiões durante a noite e a manhã de domingo, segundo o Ministério da Defesa russo.
Três aeroportos da capital suspenderam brevemente suas operações após os bombardeios, e um ataque com drones no sul provocou um incêndio em uma refinaria de petróleo.
Em Bélgorod, cidade próxima à fronteira com a Ucrânia, vários bombardeios ucranianos mataram duas pessoas neste domingo - um homem e uma adolescente de 16 anos - e deixaram 12 feridos, indicou o governador da região.
E na parte controlada pela Rússia da região ucraniana de Zaporizhzhia, onde também foram realizadas as eleições, drones incendiaram uma seção eleitoral, segundo as autoridades instaladas por Moscou.
- "Período difícil" -
Putin, um ex-agente da KGB de 71 anos, está no poder na Rússia desde o último dia de 1999.
Se completar um novo mandato, ele terá permanecido no poder por mais tempo do que qualquer outro líder russo desde Catarina, a Grande, no século XVIII.
Não havia oponentes reais nas eleições, depois de terem sido excluídos dois candidatos contrários ao conflito na Ucrânia.
Na quinta-feira, em uma mensagem pré-eleitoral, Putin admitiu que a Rússia está passando por um "período difícil". "Devemos continuar unidos e confiantes em nós mesmos", declarou.
M.Robinson--AT