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Gaza recebe suprimentos pelo mar e aguarda possível trégua entre Hamas e Israel
Um navio de uma ONG espanhola terminou de descarregar neste sábado (16) 200 toneladas de mantimentos para a população de Gaza, à beira da fome devido à guerra entre Israel e o Hamas, que estão negociando uma trégua.
Apesar das negociações, Israel mantém sua ofensiva avassaladora contra o território palestino.
O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, governada pelo Hamas, informou que 36 membros de uma mesma família morreram na sexta-feira à noite no campo de refugiados de Nuseirat (centro) em uma "noite sangrenta" marcada por 60 bombardeios israelenses.
"Estes são minha mãe, meu pai, minha tia e meus irmãos", disse à AFP Mohamad Al Tabatibi, de 19 anos, mostrando os corpos alinhados no hospital Al Aqsa de Deir al Balah. "Não sei por que nos bombardearam", acrescentou o rapaz, com uma ferida na mão esquerda.
Dezenas de pessoas se reuniram no hospital em torno dos corpos, incluindo pelo menos duas crianças pequenas, envoltas em sacos mortuários ou em simples lençóis brancos, segundo imagens da AFP.
O Exército israelense indicou em comunicado que havia atacado "vários terroristas entrincheirados" no campo de Nuseirat. Ao ser contatado pela AFP, o Exército afirmou que o ataque ao qual se referia no comunicado era "outro incidente", diferente do da família Al Tabatibi e do qual não confirmou a autoria.
A esperança de um acordo foi reacendida após o Hamas reduzir suas exigências.
O movimento islamista inicialmente exigia um cessar-fogo definitivo e uma troca de reféns por prisioneiros palestinos em Israel, na proporção de 100 presos por refém. Mas agora propõe uma trégua de seis semanas e libertar 42 reféns israelenses - mulheres, crianças, idosos e doentes - em troca da libertação de 20 a 50 palestinos por refém.
O Hamas também exige a "retirada do exército de todas as cidades e áreas povoadas", o "retorno sem restrições dos deslocados" pela guerra e a entrada diária de pelo menos 500 caminhões de ajuda humanitária em Gaza, disse um de seus líderes à AFP.
O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, garantiu que os países mediadores trabalham arduamente para chegar a um acordo.
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que enviará uma delegação ao Catar para as negociações de troca.
Além dos bombardeios e dos combates, a ONU teme a fome generalizada no estreito território palestino, especialmente no norte, devastado pela guerra e de difícil acesso.
- "Não veem bebês de tamanho normal" -
O navio da ONG espanhola Open Arms, que partiu de Chipre na terça-feira com 200 toneladas de alimentos da organização World Central Kitchen (WCK), chegou a Gaza na sexta-feira e terminou de descarregar a ajuda neste sábado.
A carga "está sendo preparada para distribuição", afirmou a WCK, fundada pelo chef espanhol José Andrés.
O navio Open Arms passou por "um controle de segurança completo", informou o Exército israelense.
Esse navio inaugurou uma rota marítima aberta pela União Europeia e a partida de outro está prevista para este sábado ou domingo, indicou o Ministério das Relações Exteriores de Chipre.
A Alemanha anunciou que a sua força aérea realizou com sucesso o seu primeiro lançamento de ajuda ao norte de Gaza.
No entanto, a comunidade internacional e as ONGs alertam que a ajuda enviada pelo mar ou pelo ar será sempre muito inferior àquela que pode ser encaminhada por terra.
Esta última entra em Gaza pelo sul do território, após ser inspecionada por Israel, mas ainda é insuficiente para atender às necessidades de seus 2,4 milhões de habitantes.
A situação é tão dramática que "os médicos já não veem bebês de tamanho normal", lamentou Dominic Allen, chefe do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para os territórios palestinos.
- "Planos de ação" contra Rafah -
A guerra em Gaza foi desencadeada pelo ataque sangrento do Hamas em 7 de outubro, quando seus combatentes mataram cerca de 1.160 pessoas, a maioria civis, no sul de Israel, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Além disso, cerca de 250 pessoas foram sequestradas. Segundo Israel, 130 ainda estão retidas em Gaza, das quais 32 podem estar mortas.
Em resposta, Israel prometeu "aniquilar" o Hamas e lançou uma ofensiva que matou 31.553 pessoas na Faixa de Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território.
Enquanto uma trégua é negociada nos bastidores, o primeiro-ministro israelense aprovou os "planos de ação" do Exército para realizar uma operação terrestre em Rafah, onde, segundo a ONU, estão aglomeradas quase 1,5 milhão de pessoas, a maioria deslocada pela guerra.
"O Exército israelense está pronto para a parte operacional e para a evacuação da população", segundo seu gabinete.
Essa operação, há muito anunciada, gera preocupação internacional, mesmo entre os principais aliados de Israel, como os Estados Unidos.
L.Adams--AT