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Em meio a eleições presidenciais, Putin promete responder a ataques da Ucrânia
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, prometeu responder aos ataques aéreos ucranianos em seu território, atribuindo-os à vontade de Kiev de perturbar as eleições que começaram nesta sexta-feira (15) e nas quais sua vitória é considerada certa.
Por outro lado, pelo menos 13 pessoas foram detidas por atos de vandalismo nos locais de votação, informaram as autoridades, sem especificar as motivações dos autores.
Putin afirmou que os ataques com drones vindos da Ucrânia, que se multiplicaram nos últimos dias, "não ficarão impunes". Essas ações constituem "uma tentativa de interferir nas eleições presidenciais", declarou.
A essas ações se somam várias incursões de milicianos da Ucrânia que o Exército russo afirmou ter repelido desde 12 de março, em alguns casos recorrendo à artilharia e à aviação.
Coincidindo com o início das eleições, a Rússia também lançou um dos ataques mais mortíferos contra a cidade ucraniana de Odessa, às margens do Mar Negro, desde o início de sua operação militar na antiga república soviética.
Segundo a procuradoria-geral ucraniana, pelo menos 20 pessoas morreram e 73 ficaram feridas por mísseis russos nesta grande cidade portuária que já foi alvo de dois ataques nos últimos dias.
- Maior mandato da história da Rússia -
As eleições terão duração de três dias neste enorme país, com 145 milhões de habitantes e onze fusos horários diferentes, que se estende do Extremo Oriente até suas fronteiras com países da União Europeia.
O processo eleitoral deve permitir a Putin, de 71 anos e no poder desde o ano 2000 como presidente ou primeiro-ministro, permanecer no cargo até 2030.
Se isso acontecer, ele se tornará o líder com mais anos à frente da Rússia desde Catarina, a Grande, que governou por 34 anos no final do século XVIII.
Seus adversários são três candidatos que não se opuseram à ofensiva na Ucrânia nem à repressão que dizimou a dissidência. Um concorrente um pouco mais crítico foi impugnado pela comissão eleitoral.
Uma pesquisa estatal previu no início da semana que Putin receberia mais de 80% dos votos.
Seu maior adversário político, Alexei Navalny, morreu no mês passado em uma prisão no Ártico. Sua viúva, Yulia Navalnaya, convocou os russos a se reunirem em frente às seções eleitorais ao meio-dia de domingo, como forma de protesto.
A procuradoria de Moscou advertiu que puniria os envolvidos na "organização e participação de atos em massa".
- Pano de fundo ucraniano -
Segundo analistas, Putin busca transformar os comícios em uma demonstração de apoio à sua ofensiva na Ucrânia, que teve início em fevereiro de 2022.
O voto também está sendo realizado nos territórios ocupados pela Rússia na Ucrânia e na Transnístria, um território separatista pró-russo localizado na Moldávia.
Na região ucraniana de Donetsk, controlada por Moscou, soldados armados acompanharam os funcionários eleitorais enquanto instalavam urnas em mesas pequenas nas ruas ou nos capôs dos veículos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, e cerca de cinquenta países condenaram a realização das eleições em territórios da Ucrânia "ocupados" por Moscou.
O conflito na Ucrânia intensificou as tensões entre a Rússia e as potências ocidentais.
Tanto a Ucrânia quanto os governos das potências ocidentais classificaram as eleições como uma "farsa". O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, parabenizou sarcasticamente Putin por sua "vitória esmagadora".
- Incidentes -
Apesar de previsível, o processo eleitoral não está isento de incidentes.
Uma mulher foi detida em Moscou por atear fogo a uma cabine de votação, segundo a imprensa russa e outra, na casa dos 20 anos, lançou um coquetel molotov contra uma local de votação em São Petersburgo, informou um responsável da autoridade eleitoral na cidade.
Também na localidade siberiana de Khanty-Mansiysk, uma pessoa foi detida por tentar lançar fogo a uma urna e outra foi presa na região de Chelyabinsk pela tentativa de atirar uma bombinha.
Outras seis pessoas foram detidas por jogar tinta nas urnas em diferentes regiões do país. Segundo a chefe da comissão eleitoral, Ella Pamfilova, elas estavam agindo a mando de agentes estrangeiros.
A contagem dos votos começou às 08h00 desta sexta-feira (17h00 de quinta em Brasília) na península de Kamchatka e em Chukotka, perto das costas do Alasca, e terminará no domingo às 20h00 (15h00 de Brasília) em Kaliningrado, um enclave entre a Polônia e a Lituânia.
Em uma escola em Moscou, Liudmila, uma aposentada de 70 anos e apoiadora de Putin, votou com a esperança de conseguir "a vitória" na Ucrânia.
"Estou feliz por estar viva para vê-lo ser reeleito", concordou Alexandra Savina, uma aposentada de 78 anos depois de votar no presidente.
"Tudo o que ele diz, ele faz", afirmou a mulher, que acusou o Ocidente de tentar "enfraquecer a Rússia".
Menos esperançosa estava Nadejda, uma bailarina de 23 anos. "O fato de ele estar aqui não mudará nada", afirma esta jovem, que nasceu já com Putin no poder.
"Em minha volta, estamos acostumados com a ideia de que tudo é decidido para nós, não podemos fazer nada", garante a bailarina moscovita, que não quer dar seu sobrenome. "Tudo é um pouco falso".
A.Williams--AT