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Governo argentino amplia suspensão de agência de notícias Télam
O governo argentino estendeu por uma semana a licença dos trabalhadores da agência estatal de notícias Télam e ofereceu um programa de demissão voluntária, informaram nesta segunda-feira (11) funcionários da entidade.
"Amplia-se a dispensa de prestação de débito trabalhista com gozo de salário por sete dias", assinala um e-mail enviado aos trabalhadores por Diego Chaher, interventor da Télam, e obtido nesta segunda pela AFP.
Na semana passada, depois do anúncio do presidente de extrema direita Javier Milei de que fecharia a empresa por ser supostamente um instrumento "de propaganda", o governo havia licenciado por sete dias os 700 trabalhadores da agência e cercou suas sedes em Buenos Aires.
"Esta semana se conhecerá o plano que o governo está desenvolvendo para o fechamento e o destino de cada um dos empregados", disse o porta-voz presidencial, Manuel Adorni, quando anunciou o fechamento.
Mas alguns opinam que isso não será simples. Por exemplo, a deputada Margarita Stolbizer, do bloco dialoguista Fazemos Coalizão, escreveu na rede social X que "não se pode eliminar por decreto órgãos criados por lei".
A medida provocou uma rápida reação dos trabalhadores, que realizaram um ato e montaram acampamento na porta de uma das sedes. Além disso, após a suspensão do site oficial da agência, colocaram no ar a página "Somos Télam" para continuar a publicação de suas notas e emitir comunicados.
Tomás Eliaschev, jornalista e representante sindical da Télam, contou à AFP que, nesta segunda, após uma assembleia "com sala cheia" no edifício da Central Geral de Trabalhadores (CGT), os funcionários definiram sua rejeição à proposta de demissão voluntária feita pelo governo.
"De voluntária não tem nada porque acontece no contexto de uma extorsão", assinalou Eliaschev, ao destacar que as sedes continuam cercadas com grades e presença policial, e que os trabalhadores vão manter seu acampamento.
Ademais, anunciou que será apresentado um projeto de lei para que a agência "continue existindo, tenha controle parlamentar e seja uma Télam ainda mais democrática e federal".
"Somos os primeiros que querem que a Télam melhore, mas de forma alguma vamos deixar que apaguem com uma canetada quase 80 anos de história", acrescentou.
Em seu discurso de abertura das sessões do Congresso em 1º de março, Milei argumentou que a Télam tinha sido "utilizada durante as últimas décadas como agência de propaganda kirchnerista", em referência à corrente política da ex-presidente Cristina Kirchner.
A agência foi criada em abril de 1945 pelo então secretário de Trabalho e depois três vezes presidente, Juan Domingo Perón.
F.Ramirez--AT