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Ramadã começa sem trégua entre Israel e Hamas em Gaza
Os bombardeios israelenses deixaram dezenas de mortos neste domingo (10) em Gaza, onde o ramadã começa sem uma trégua entre Israel e o Hamas, em meio a uma mobilização internacional para enviar ajuda humanitária a uma população à beira da fome.
Um primeiro navio carregado com ajuda está pronto para zarpar de Chipre, como parte de um corredor marítimo humanitário anunciado pela União Europeia em direção ao território palestino, devastado após mais de cinco meses de guerra entre Israel e o movimento islamista palestino.
As partes não chegaram a um acordo para uma trégua antes do início do ramadã, que começou oficialmente nesta segunda-feira (11). O conflito já deixou até o momento 31.045 mortos em Gaza, a maioria civis, segundo o Hamas.
Para Ahmed Kamis, um deslocado de 40 anos, o ramadã deste ano é sinônimo de "sofrimento". "Há uma guerra suja, sangrenta, uma guerra de genocídio. Os deslocados não têm nada para comer ou beber", lamentou à AFP de Rafah, no extremo sul do território.
A guerra começou em 7 de outubro, com o ataque sem precedentes de comandos do Hamas em solo israelense, no qual cerca de 1.160 pessoas morreram, principalmente civis, segundo uma contagem da AFP com base em dados israelenses.
Cerca de 250 pessoas foram sequestradas e 130 permanecem cativas em Gaza, das quais 31 teriam morrido, segundo autoridades israelenses.
Israel prometeu "aniquilar" o Hamas e lançou uma campanha militar contra o território palestino.
- 'Para que ela não morra' -
De acordo com as autoridades do movimento islamista, no poder em Gaza desde 2007, pelo menos 85 palestinos morreram nas últimas 24 horas, em mais de 60 bombardeios noturnos no centro e sul do território, principalmente em Khan Yunis.
Pelo menos 13 pessoas morreram quando um obus atingiu tendas de deslocados em Al Mawasi, entre Khan Yunis e Rafah, informou o Ministério da Saúde de Gaza.
Israel anunciou a morte de um soldado, elevando para 249 o número de militares mortos desde o início da ofensiva terrestre em 27 de outubro.
O cerco imposto por Israel também provocou uma catástrofe humanitária neste território e, segundo a ONU, 2,2 milhões dos 2,4 milhões de habitantes estão à beira da fome.
"Alimento minha filha com água, água, para que ela não morra. Não tenho outra escolha", disse uma mãe na cidade de Gaza, Barak Abhar, com seu bebê chorando nos braços.
Israel permite apenas a entrada de ajuda humanitária no território de forma limitada pela fronteira fechada com o Egito.
Vários países ocidentais e árabes lançaram pacotes com comida e material médico do ar. Jordânia, Estados Unidos, França, Bélgica e Egito participaram no domingo de novos lançamentos aéreos de ajuda.
A UE e os EUA, principal aliado de Israel, anunciaram na sexta-feira que estavam preparando um corredor marítimo a partir da ilha de Chipre, localizada a cerca de 370 km de Gaza.
Um primeiro navio fretado pela ONG espanhola Open Arms em colaboração com a World Central Kitchen (WCK) americana partirá do porto de Lárnaca "nas próximas horas", anunciou o governo cipriota.
Alguns moradores foram para uma praia ao sul de Gaza City no domingo na esperança de ver o navio chegar. "Estou esperando desde esta manhã porque a situação é trágica", disse Mohammed Harrara à AFP.
"Eles disseram que um navio cheio de ajuda estava chegando e que as pessoas poderiam comer", disse outro palestino, Mohammed Abu Baid. "Só Deus sabe. Não acreditaremos até vermos", acrescentou.
- Prejudica mais do que ajuda -
A ONU, que alertou que uma fome generalizada é "quase inevitável" no território, insiste que as entregas de ajuda por ar ou mar não podem substituir as terrestres.
Essa ajuda passa por Rafah, na fronteira com o Egito. Na cidade, cerca de 1,5 milhão de pessoas, a grande maioria deslocadas que vivem em condições miseráveis, estão em busca de comida e água, segundo a ONU, e angustiados com a possibilidade de uma ofensiva terrestre aunciada por Israel.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, voltou a criticar o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Netanyahu "prejudica mais do que ajuda Israel", disse o presidente durante uma entrevista à rede MSNBC no sábado.
"Ele tem o direito de defender Israel, o direito de continuar perseguindo o Hamas", afirmou, mas "deve prestar mais atenção às vidas inocentes que estão sendo perdidas".
O líder israelense, que enfrenta crescentes pressões em seu país para alcançar um acordo de libertação dos reféns, rejeitou neste domingo as declarações de Biden.
Ambas as partes se acusam mutuamente de impedir um acordo. O chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, garantiu neste domingo que o grupo islamista ainda estava "aberto a continuar as negociações" para uma trégua.
O Hamas quer que o ramadã "passe de mês de oração a mês de derramamento de sangue", declarou Benny Gantz, membro do gabinete de guerra israelense.
A.O.Scott--AT