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Moscovitas seguem honrando a memória do opositor Navalny
Dezenas de pessoas depositaram flores nesta segunda-feira (19) em um monumento de Moscou para honrar a memória do opositor Alexei Navalny, morto na prisão, apesar das centenas de prisões efetuadas nesses dias.
No entanto, nesta segunda-feira, a polícia permitiu que os moscovitas, alguns deles chorando, colocassem flores, um a um, aos pés de um monumento dedicado às vítimas da repressão política durante a era soviética, levantado em frente ao Lubianka, a sede da KGB soviética e, atualmente, dos serviços de segurança russos, o FSB.
"Alexei Navalny está vivo em nossa memória, é um raio de luz em nossa vida. Honraremos sua memória e continuaremos seu trabalho", declarou em tom solene à AFP Larissa, uma motorista de ambulância de 54 anos.
Alexandra, de 21 anos, disse que lhe dava medo visitar o monumento, pelos vídeos que viu das prisões realizadas nos últimos dias. Mas ainda assim, decidiu ir. "Durante os primeiros dias, chorei sem parar. Estou muito chateada", contou.
"Embora estivesse na prisão, embora o tivessem levado para além do círculo polar, seguia vivo. É como se ainda houvesse esperança", acrescentou a mulher que disse que costumava ir às manifestações convocadas por Navalny. "É o tipo de pessoa que queremos seguir, e houve gente que o seguiu".
- "A esperança de milhões de russos" -
Konstantin, de 16 anos, afirmou que começou a se interessar pela política aos 11, quando descobriu Alexei Navalny. "Segui tudo o que ele fez durante todos esses anos. E a notícia de sua morte, melhor de seu assassinato em 16 de fevereiro, certamente me comoveu", apontou.
"Ele me ensinou que a política não é algo chato que está apenas nos jornais. Era uma estrela de rock da política russa", acrescentou Konstantin, destacando que o opositor era "capaz de despertar o interesse de diferentes segmentos da população" russa.
Conhecido por suas investigações anticorrupção e sua firme oposição a Vladimir Putin e seu "partido de ladrões e vigaristas", Alexei Navalny morreu na sexta-feira na colônia penitenciária do Ártico, onde cumpria uma pena de 19 anos.
As circunstâncias da morte ainda não estão claras e, até agora, as autoridades não permitiram que seus familiares e pessoas próximas vissem o corpo do opositor, morto aos 47 anos.
O advogado carismático, que sobreviveu por pouco a um envenenamento em 2020 e que enfrentava duras condições na prisão, era especialmente popular entre a juventude das grandes cidades como Moscou e São Petersburgo.
Com o tempo, tornou-se uma figura de destaque de uma oposição russa cada vez menor, vítima de anos de repressão.
"Para milhões de russos, ele ainda era um vestígio de esperança, e não se sabe quem poderá ser a próxima esperança, depois dele", comentou, com a voz embargada, Elizaveta, de 47 anos.
A.Ruiz--AT