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Rebeldes huthis reivindicam ataque a navio dos EUA no Iêmen
Os rebeldes huthis do Iêmen assumiram, nesta sexta-feira (19), a responsabilidade por um ataque a um navio americano que passava pelo Golfo de Áden, localizado às portas do Mar Vermelho.
O grupo, apoiado pelo Irã, lançou vários ataques a navios supostamente vinculados a Israel em resposta à guerra de Gaza, o que levou os Estados Unidos e outros aliados a bombardearem as suas posições no Iêmen.
Os huthis indicaram que as suas forças navais "realizaram uma operação contra um navio americano, o ‘Chem Ranger’, no Golfo de Áden com vários mísseis navais, dos quais vários atingiram o seu alvo", segundo um comunicado.
O Comando Central dos Estados Unidos confirmou que os insurgentes "lançaram dois mísseis balísticos antinavio contra o 'M/V Chem Ranger', um petroleiro de propriedade dos EUA e com bandeira das Ilhas Marshall".
No entanto, embora os rebeldes tenham reivindicado um "impacto direto", o Exército americano afirmou que isso não ocorreu e que "não houve feridos ou danos ao navio".
Segundo o portal especializado Marine Traffic, o "Chem Ranger" é um navio-tanque petroquímico com bandeira das Ilhas Marshall e que esteve na costa do Iêmen nos últimos dias.
A empresa britânica de gestão de riscos marítimos Ambrey disse que um navio com bandeira das Ilhas Marshall na mesma rota relatou uma abordagem "suspeita" de drone perto da cidade iemenita de Aden.
Um deles caiu a cerca de 30 metros do navio, segundo esta empresa. "Um navio de guerra indiano respondeu ao ocorrido (...). Nenhuma vítima ou dano foi relatado", acrescentou.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO também relatou um incidente na mesma área entre um drone e um navio mercante que não identificou, além de uma explosão na água a 30 metros do navio.
"As forças da coalizão estão respondendo. A tripulação e o navio estão seguros e o navio se dirige para o próximo porto", disse a agência governamental.
- Repercussões econômicas -
Os huthis, que controlam grande parte do Iêmen desde o início da guerra civil em 2014, lançaram inúmeros ataques contra navios no Mar Vermelho desde o início do conflito entre Israel e o movimento islamista Hamas em Gaza.
O grupo rebelde garantiu na sua declaração que está agindo contra "a opressão do povo palestino na Faixa de Gaza e em resposta à agressão americano-britânica" contra o seu país.
Segundo os huthis, as suas ofensivas visam apenas os navios que se dirigem para Israel e continuarão "até que haja um cessar-fogo e o cerco a Gaza seja levantado".
Em uma entrevista ao veículo de comunicação russo Izvestia, um alto representante Houthi, Mohammed al Bukhaiti, garantiu a passagem segura de navios russos e chineses através do Mar Vermelho.
"Como em todos os outros países, incluindo a Rússia e a China, o seu comércio na região não está ameaçado (...). Além disso, estamos prontos para garantir a passagem segura dos seus navios", disse ele.
Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, pediu nesta sexta-feira que se ponha fim ao "assédio" de navios civis nesta "importante rota comercial internacional de mercadorias e energia".
Os Estados Unidos bombardearam locais huthis no Iêmen pela quinta vez na quinta-feira. O seu presidente, Joe Biden, alertou que os bombardeios continuarão até que os rebeldes parem os seus ataques no Mar Vermelho.
A Rússia pediu na quinta-feira a Washington que interrompa estas ações contra os huthis para facilitar uma solução diplomática para os ataques a navios mercantes.
"O mais importante agora é parar a agressão contra o Iêmen, porque quanto mais os americanos e os britânicos bombardeiam, menos dispostos os huthis estão a conversar", disse o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.
Os ataques huthis levaram inúmeras empresas a suspender a passagem das suas frotas pelo Mar Vermelho, uma rota fundamental entre a Ásia e a Europa, através da qual passa 12% do comércio marítimo mundial.
G.P.Martin--AT