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Coreia do Norte anuncia que disparou novo míssil balístico hipersônico
A Coreia do Norte anunciou que conseguiu disparar um novo tipo de míssil balístico com uma ogiva hipersônica manobrável, no mais recente avanço no seu desenvolvimento de armas para ameaçar alvos na Coreia do Sul e nos Estados Unidos.
Foi o primeiro lançamento de um míssil balístico hipersônico de alcance intermediário (IRBM) de combustível sólido e foi detectado pelo Exército sul-coreano no domingo.
Uma breve declaração da agência oficial KCNA indicou que o IRBM estava "carregado com uma ogiva hipersônica manobrável".
O disparo desse míssil no domingo teve como objetivo "verificar as capacidades de voo" e "a confiabilidade do novo motor de combustível sólido", disse a KCNA. Assegurou que o disparo "nunca afetou a segurança de algum país vizinho e não teve nada a ver com a situação regional".
No entanto, o disparo ocorre dias depois de o Norte ter realizado exercícios de artilharia com munições reais e em meio a preocupações com o endurecimento da posição de Pyongyang.
O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul anunciou anteriormente que "detectou um míssil balístico aparentemente de alcance intermediário lançado da região de Pyongyang em direção ao Mar do Leste às 14h55" (02h55 no horário de Brasília), referindo-se a uma área também conhecida como Mar do Japão.
O último míssil lançado pela Coreia do Norte, em 18 de dezembro, foi um míssil balístico intercontinental de combustível sólido (ICBM) Hwasong-18, o mais avançado que possui, lançado em direção ao Mar do Japão.
O Ministério da Defesa sul-coreano criticou duramente o lançamento de domingo e alertou que dará uma "resposta esmagadora" se a Coreia do Norte fizer uma "provocação direta" ao Sul.
"Este comportamento da Coreia do Norte é uma provocação clara que viola as resoluções do Conselho de Segurança que proíbem o uso de tecnologia de mísseis balísticos. Emitimos um alerta forte e instamos veementemente que seja interrompido imediatamente", acrescentou o ministério em comunicado.
Na quarta-feira, o líder norte-coreano Kim Jong Un descreveu a Coreia do Sul como o "principal inimigo" do país.
"Finalmente chegou o momento histórico em que deveríamos defini-lo como o Estado mais hostil em relação à Coreia do Norte", disse Kim.
Por sua vez, o especialista em mísseis Chang Young-keun comentou que "a Coreia do Norte parece estar buscando o desenvolvimento de mísseis hipersônicos e de alcance intermediário usando lançadores de combustível sólido".
"Mísseis hipersônicos de médio e longo alcance serão especialmente úteis para chegar a Guam, evitando o sistema de defesa antimísseis dos EUA", acrescentou o especialista do Instituto Coreia de Pesquisa para Estratégia Nacional.
A KCNA divulgou nesta segunda-feira apenas uma foto do lançamento do míssil, sem mencionar que Kim estava presente para supervisioná-lo.
- Mudança de tom -
Os mísseis de combustível sólido são mais fáceis de ocultar e mais rápidos de disparar, e os mísseis hipersônicos muitas vezes os tornam mais fáceis de manobrar em pleno voo.
As declarações marcam uma mudança de tom na política norte-coreana e os analistas acreditam que Pyongyang assumirá uma postura mais dura no futuro.
Em dezembro, Kim Jong Un ordenou a aceleração dos preparativos militares para uma "guerra" que poderia "estourar a qualquer momento".
Ele também denunciou uma "situação de crise persistente e incontrolável", segundo ele, causada por Seul e Washington com seus exercícios militares conjuntos na região.
As relações entre as duas Coreias estão no ponto mais baixo em décadas, depois de Kim ter consagrado o status do seu país como potência nuclear em sua Constituição e lançado vários testes avançados de ICBM.
Ao mesmo tempo, os aliados tradicionais Rússia e Coreia do Norte reforçaram os laços com a viagem de Kim ao Extremo Oriente russo em setembro para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin.
Uma delegação do governo norte-coreano liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Choe Son Hui, chegou a Moscou nesta segunda-feira para uma visita oficial, informou a KCNA.
Pyongyang também conseguiu colocar em órbita um satélite de reconhecimento assistido pela Rússia, segundo a Coreia do Sul, em troca do fornecimento de munições para a guerra da Rússia na Ucrânia.
Ch.Campbell--AT