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Irã acusa Israel e EUA por ataque que deixou 84 mortos perto de túmulo do general Soleimani
O Irã acusou Israel e os Estados Unidos pela dupla explosão de quarta-feira (3) que deixou pelo menos 84 mortos no sul do país, onde uma multidão se reuniu para homenagear o quarto aniversário da morte do general Qassem Soleimani.
As explosões, com cerca de 15 minutos de diferença, ocorreram em meio à tensão no Oriente Médio, um dia depois que o número dois do Hamas foi morto em um ataque em Beirute, atribuído por autoridades libanesas a Israel.
O incidente aconteceu perto da mesquita Saheb al Zaman, onde está o túmulo de Soleimani, na cidade de Kerman. Ninguém reivindicou o ataque até o momento.
O general Qassem Soleimani foi morto aos 62 anos, em um ataque com um drone americano nos arredores do aeroporto de Bagdá, no Iraque, em 3 de janeiro de 2020.
"Washington diz que os Estados Unidos e Israel não tiveram nada a ver com o atentado terrorista em Kerman, Irã. Sério? (...) Não se enganem. A responsabilidade por este crime recai nos regimes americano e sionista, e o terrorismo é apenas uma ferramenta", declarou Mohammad Jamshidi, conselheiro do presidente iraniano, Ebrahim Raisi.
Os Estados Unidos negaram qualquer envolvimento de Israel, ou de si mesmos, e um alto funcionário afirmou que "parece um ataque terrorista, o tipo de coisa que o EI [Estado Islâmico] fez no passado".
Israel, inimigo declarado do Irã, não comentou o ataque. "Estamos concentrados na luta contra o Hamas", declarou o porta-voz do Exército, Daniel Hagari.
Nesta quinta-feira (4), os serviços de emergência do país revisaram para baixo o total de mortos, que passou de 95 para 84.
"Segundo os últimos números, 84 pessoas morreram", anunciou o chefe dos serviços de emergência do Irã, Jafar Miadfar, na televisão estatal.
O ataque deixou "284 feridos", dos quais "195 permanecem hospitalizados", acrescentou Miadfar.
O balanço anterior divulgado pela imprensa estatal era de 95 mortos e 181 feridos.
O ministro iraniano do Interior, Ahmad Vahidi, alertou, no entanto, que o número de vítimas ainda pode aumentar, já que alguns dos feridos se encontram em "estado crítico".
Segundo a agência oficial de notícias Irna, a primeira explosão ocorreu a 700 metros do túmulo de Soleimani, e a segunda, a um quilômetro de distância. Imagens divulgadas pela Internet mostraram a multidão tentando fugir do local, enquanto o pessoal de segurança isolava a área.
A agência de notícias iraniana Tasnim afirmou que "duas bolsas com bombas explodiram".
"Os autores (...) aparentemente detonaram as bombas remotamente", acrescentou.
- "Resposta dura" -
"Estávamos caminhando para o cemitério quando, de repente, um veículo parou atrás de nós, e uma lata de lixo contendo uma bomba explodiu", declarou uma testemunha à agência Isna.
A República Islâmica decretou um dia de luto nacional na quinta-feira, e o presidente Ebrahim Raisi, que cancelou uma viagem prevista para a Turquia para esse mesmo dia, condenou o ataque "odioso".
O guia supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu, nesta quarta-feira, uma "dura resposta" aos "malvados e criminosos inimigos da nação".
Ao anoitecer, a multidão voltou ao local da explosão, gritando "Morte a Israel!" e "Morte aos Estados Unidos!".
"Condenamos o amargo incidente terrorista de hoje (...) Espero que os autores do crime sejam identificados e castigados por seus atos", declarou a filha de Soleimani, Zeinab.
Em um comunicado, o governo venezuelano, aliado do Irã, condenou o ataque "nos termos mais enérgicos" e pediu que "os responsáveis por um ato tão repudiado sejam punidos".
O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, também condenou o ataque, em uma conversa com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Hossein Amir-Abdollahian.
"Condeno este ataque terrorista nos termos mais firmes e expresso (minha) solidariedade ao povo iraniano", disse Borrell nas redes sociais.
Na quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, classificou o ataque como "escandaloso por sua crueldade e seu cinismo". O Iraque se referiu, por sua vez, a um ato "terrorista", assim como a União Europeia, que expressou "sua solidariedade ao povo iraniano".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou "categoricamente" as explosões.
O Hamas, aliado do Irã, denunciou o "atentado criminoso", enquanto a Chancelaria saudita expressou sua "solidariedade com o Irã neste acontecimento doloroso".
- Conspirações "terroristas" -
Em setembro, a agência de notícias Fars informou que um afiliado ao grupo Estado Islâmico, encarregado de realizar "operações terroristas" no Irã, foi detido em Kerman.
Em julho, os serviços de Inteligência iranianos disseram ter desarticulado uma rede que, segundo eles, estava "vinculada à organização de espionagem de Israel" e que planejava "operações terroristas" em todo o Irã, incluindo "uma explosão no túmulo" de Soleimani, segundo a Irna.
O general Soleimani, chefe das forças Quds da Guarda Revolucionária - o Exército ideológico do Irã - era o encarregado das operações exteriores iranianas, especialmente no Oriente Médio.
Soleimani era uma das personalidades públicas mais populares do país e considerado um herói por seu papel na derrota do grupo Estado Islâmico tanto no Iraque como na Síria. Durante muito tempo, foi considerado um inimigo declarado pelos Estados Unidos e seus aliados.
Após sua morte, em 2020, o aiatolá Ali Khamenei, que costumava se referir a Soleimani como "mártir sobrevivente", decretou três dias de luto nacional.
O.Gutierrez--AT