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Guiana propõe bases militares com apoio estrangeiro em área reivindicada pela Venezuela
A Guiana levantou, na quinta-feira (23), a opção de estabelecer "bases militares" com apoio estrangeiro em Essequibo, território rico em petróleo e recursos naturais sobre o qual mantém uma controvérsia de longa data com a Venezuela, e anunciou a visita de funcionários do Departamento da Defesa dos Estados Unidos.
"Nunca estivemos interessados em bases militares, mas temos que proteger o nosso interesse nacional", disse o vice-presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, em conferência de imprensa.
"Temos interesse em manter a paz no nosso país e nas nossas fronteiras, mas temos trabalhado com os nossos aliados para garantir um plano para todas as eventualidades", acrescentou.
"Teremos a visita de duas equipes do Departamento de Defesa dos EUA na próxima semana e depois várias visitas em dezembro e uma representação de alto nível".
"Todas as opções disponíveis serão aproveitadas", disse ele.
O vice-presidente, no entanto, afirmou que o governo da Guiana espera que a disputa com a vizinha Venezuela possa ser resolvida na Corte Internacional de Justiça (CIJ), cuja jurisdição Caracas não reconhece no caso Essequibo.
Ambos os países têm uma longa disputa territorial por este território de 160.000 km2, embora na prática seja administrado por Georgetown.
A Guiana recorre a uma sentença arbitral de 1899 em que foram estabelecidas as atuais fronteiras, enquanto a Venezuela reivindica o Acordo de Genebra, assinado em 1966 com o Reino Unido antes da independência da Guiana, que anulou a sentença e estabeleceu bases para uma solução negociada.
A disputa intensificou-se com a descoberta de campos petrolíferos na região e as negociações da Guiana com a gigante energética americana ExxonMobil para a sua exploração.
- "Campanha suja da ExxonMobil" -
O governo da Venezuela promove um referendo consultivo para o próximo dia 3 de dezembro, no qual perguntará aos seus cidadãos se apoiam a concessão da nacionalidade aos 125 mil habitantes da região em disputa e a criação de uma nova província venezuelana chamada "Guayana Esequiba".
A Guiana rejeitou a consulta, que foi descrita pelo seu presidente, Irfaan Ali, como "uma ameaça à paz na América Latina e no Caribe".
Em meio a uma escalada de acusações mútuas nas últimas semanas, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou na quinta-feira "uma campanha suja" da ExxonMobil contra o referendo.
"Iniciou-se uma campanha suja com muito dinheiro da ExxonMobil nas redes sociais para tentar impedir a realização do referendo, para tentar sabotar o referendo, para tentar confundir", disse o presidente em um discurso transmitido pela televisão estatal.
As autoridades venezuelanas organizaram uma simulação da consulta no último domingo, na qual, segundo Maduro, participaram mais de três milhões de eleitores.
Toda a população maior de 18 anos da Venezuela foi convocada para esta consulta.
R.Garcia--AT