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UE chega a acordo para reforma do pacto migratório
Os países da União Europeia (UE) chegaram, nesta quarta-feira (4), a um acordo fundamental para avançar na reforma do Pacto de Migração e Asilo, após três anos de paralisação nas negociações sobre este tema.
O novo acordo visa a prolongar a duração da detenção de imigrantes nas fronteiras externas do bloco, mas fazer com que os países menos afetados contribuam, seja recebendo migrantes ou cobrindo custos.
Reunidos em Bruxelas, os representantes permanentes dos países da UE chegaram a um acordo que superou as objeções da Alemanha e da Itália.
O acordo foi anunciado na rede X (ex-Twitter) pela presidência do Conselho da UE, que neste semestre é exercida pela Espanha.
O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, afirmou em nota que o acordo representa "um enorme passo adiante em uma questão essencial para o futuro da UE".
"Estamos agora em melhores condições para chegar a um acordo sobre todo o pacto de asilo e migração com o Parlamento Europeu antes do final deste semestre", observou.
No dia 1º de janeiro, a presidência rotativa do Conselho da UE será exercida pela Bélgica.
A reforma do Pacto Migratório busca organizar uma resposta coletiva à chegada de um grande número de migrantes a um país da UE, como ocorreu durante a crise dos refugiados sírios de 2015 e 2016.
- "Ponto de inflexão" -
Com o acordo alcançado em Bruxelas pelos representantes permanentes dos países do bloco, a questão poderá ser apresentada na cúpula europeia marcada para sexta-feira, em Granada, na Espanha.
O texto deverá, por fim, ser negociado com os legisladores do Parlamento Europeu.
Também na rede X, a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou as "excelentes notícias do acordo político sobre a regulação da crise".
O chefe de Governo da Alemanha, Olaf Scholz, destacou na mesma rede que o acordo é um "ponto de inflexão histórico" para o bloco.
A reforma do pacto migratório, acrescentou, será "eficaz em limitar a migração irregular na Europa e fornecer alívio duradouro a países como a Alemanha".
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que "a posição italiana ganhou".
Uma fonte do governo alemão expressou satisfação pelo fato de seu país ter conseguido que "as intervenções dos socorristas no mar não possam ser usadas como pretexto para ativar o regulamento de crise".
Já o ministro espanhol de Relações Exteriores, José Manuel Albares, apontou que "avançamos para conseguir uma política migratória comum, responsável e solidária".
A ministra sueca das Migrações, Maria Malmer Stenergard, disse que está "muito feliz" porque o que foi acordado em Bruxelas "é uma peça muito importante do quebra-cabeças do pacto de Migração e Asilo".
- Oposição de Polônia e Hungria -
Fontes diplomáticas afirmaram, nesta quarta-feira, que na reunião dos representantes permanentes em Bruxelas os delegados de Polônia e Hungria votaram contra.
Os dois países se opõem à intenção da Comissão Europeia (braço Executivo da UE) de fazer com que todos os países do bloco aceitem migrantes ou ajudem a cobrir os custos.
Em declarações à imprensa de seu país, o ministro húngaro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto, fez um apelo para "interromper de imediato esta política migratória".
Ele pediu o "fim imediato das cotas obrigatórias de assentamento (...), convidando os migrantes e o fim do apoio ao modelo de negócio dos traficantes de pessoas".
Há uma semana, os ministros do Interior da UE discutiram uma solução de compromisso que finalmente lhes permitiu obter o apoio da Alemanha, mas a opção não agradou a Itália e o caso voltou a ficar sem solução.
D.Johnson--AT