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Presidente eleito denuncia 'golpe de Estado em câmera lenta' na Guatemala
O presidente eleito da Guatemala, Bernardo Arévalo, declarou nesta terça-feira (3), em Washington, que seu país vive "uma transição incerta, que parece um golpe de Estado em câmera lenta".
Quando venceu as eleições presidenciais, em agosto, o líder social-democrata sabia "que não seria fácil", e esperava "a resistência de alguns nomes poderosos", mas ignorava de que tipo, explicou Arévalo no Wilson Center, um fórum apartidário.
Desde o primeiro turno, em junho, Arévalo e seu partido, Semilla (Semente), são alvos de ações legais do Ministério Público (MP), que pede a suspensão do movimento devido a supostas irregularidades em seu registro, em 2017.
Em sua investida mais recente, o MP fez uma operação na sede do tribunal eleitoral e apreendeu caixas que continham atas dos resultados das eleições.
"O que vejo agora parece um golpe de Estado em câmera lenta", disse Arévalo, em inglês. "Isso é ultrajante e inaceitável. Representa uma alteração grave da ordem constitucional" e deve ser examinado pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que já realizou missões no país centro-americano.
Segundo Arévalo, as iniciativas judiciais colocam em dúvida "o compromisso" do governo do presidente de direita, Alejandro Giammattei, com uma transferência de poderes fluida em janeiro.
Arévalo, 64, atribui seu sucesso ao compromisso de "acabar com a influência das redes corruptas". "O medo desses atores corruptos de que tenhamos sucesso foi o que desencadeou a perseguição judicial e esta campanha de intimidação" contra o Semilla e seus apoiadores nas redes sociais, acrescentou.
O político guatemalteco teve ontem uma reunião virtual com o chefe da diplomacia americana, Anthony Blinken, que ressaltou que os Estados Unidos "continuarão usando todas as ferramentas disponíveis contra aqueles que agirem para minar a democracia" na Guatemala.
Arévalo reuniu-se hoje com congressistas, que manifestaram preocupação com a situação na Guatemala.
L.Adams--AT