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Futuro do presidente da Câmara baixa dos EUA em jogo após acordo orçamentário
O futuro do presidente da Câmara de Representantes (baixa) dos Estados Unidos, o republicano Kevin McCarthy, parecia correr grave risco neste domingo (1), quando os defensores da linha-dura de seu partido e os democratas o culparam por levar o governo à beira da paralisação total.
Na noite de sábado, McCarthy conseguiu um acordo de última hora para manter o financiamento do governo por mais 45 dias, mas a direita republicana ficou furiosa porque o texto não inclui os cortes profundos de despesas que exigia, enquanto os democratas disseram que o presidente da Câmara não havia cumprido as promessas destinadas a evitar uma crise orçamentária.
Um renomado republicano da linha-dura disse, neste domingo, que tomará medidas para destituir o presidente da Câmara de Representantes por ter chegado a um acordo com os democratas para evitar o chamado "shutdown" (paralisação dos serviços federais).
"Eu pretendo apresentar uma moção para destituir o presidente McCarthy esta semana", disse o congressista Matt Gaetz ao canal CNN.
Gaetz é uma figura de destaque do 'House Freedom Caucus', um pequeno grupo de congressistas republicanos de linha-dura, que levou o governo à beira da paralisação pela recusa em aprovar novos recursos federais sem cortes profundos nas despesas.
Neste domingo, o presidente americano, Joe Biden, investiu contra McCarthy e os partidários da linha-dura por não cumprirem um acordo forjado há meses em torno de uma crise da dívida, que pretendia evitar uma luta nociva pela paralisação do país e por eliminar o apoio à Ucrânia.
"Parem de brincar, acabem com isto", disse Biden, durante uma coletiva de imprensa, acrescentando que estava "cansado da política de risco, assim como o povo americano".
"É hora de parar de governar mediante crises e de cumprir a palavra quando é dada", afirmou.
Gaetz admitiu, em declarações à CNN, que apesar da irritação expressa pela esquerda, os democratas ainda poderiam apoiar McCarthy como presidente da Câmara, particularmente depois que negociou o compromisso bipartidário para evitar o "shutdown".
"A única forma de Kevin McCarthy ser presidente da Câmara ao final da próxima semana é que os democratas o resgatem", disse Gaetz. "Agora, provavelmente vão fazê-lo".
- "Vou sobreviver" -
McCarthy sobreviveu a duras penas a uma batalha em janeiro, com um recorde de 15 rodadas de votação, para se tornar o 55º presidente da Câmara de Representantes.
Para consegui-lo, foi obrigado a fazer concessões ao bloco da extrema direita de seu partido, incluindo a mudança de regras - que Gaetz agora promete usar - que possibilita que um único membro convoque uma votação para eleger um novo presidente da Câmara.
McCarthy ficou muito vulnerável frente às facções do seu próprio partido, quando os republicanos obtiveram uma maioria muito apertada na Câmara nas eleições de meio de mandato de novembro passado.
Mas, neste domingo, o "speaker" continuava confiante em que não sucumbiria a uma moção para destituí-lo e disse, "eu vou sobreviver", ao programa "Face the Nation", da CBS.
Se Gaetz está "incomodado porque tentou nos empurrar para uma paralisação e eu me assegurei de que o governo não parasse, então vamos ter essa briga", disse McCarthy.
Os republicanos favoráveis a McCarthy já estão prometendo apoio ao seu líder.
O republicano Mike Lawler disse que a interrupção de um voto de destituição só impediria o trabalho que o Congresso agora deve fazer em meados de novembro, se quiser cumprir com a próxima data-limite.
Defendendo o acordo orçamentário, ele disse ao programa "This Week", da ABC: "A única coisa responsável era manter o governo funcionando e financiado, enquanto concluímos o nosso trabalho".
Em uma antecipação da possível reação de alguns elementos da esquerda, a legisladora progressista Alexandria Ocasio-Cortez disse à CNN que votaria "certamente" para destituir McCarthy, pois "não corresponde aos democratas salvar os republicanos deles mesmos".
Se o Congresso não tivesse conseguido manter o governo operacional, as paralisações teriam começado pouco após a meia-noite (01h deste domingo, horário de Brasília), atrasando os salários de milhões de funcionários federais e pessoal militar.
A medida emergencial dá tempo aos legisladores para negociar projetos de lei de gastos anuais para o resto do ano fiscal de 2024.
W.Moreno--AT